A Shein conseguiu autorização das autoridades chinesas para estrear na Bolsa, após quase três anos tentando emplacar o
IPO (oferta pública inicial).
Inicialmente, a varejista de moda chinesa pensou em listar suas ações no mercado dos Estados Unidos. O plano, porém, enfrentou resistência de parlamentares e reguladores e acabou sendo deixado de lado.
A Shein tentou, então, realizar a listagem em Londres e até conseguiu o aval dos reguladores britânicos para isso. Contudo, não foi autorizada pelas autoridades chinesas a avançar com a ideia.
Diante disso, a empresa decidiu dar entrada no pedido de IPO na própria China. Ainda assim, o aval para a listagem demorou cerca de um ano para sair, nesta sexta-feira (10).
IPO bilionário, mas nem tanto
A demora no processo acabou limitando o potencial do IPO da Shein, já que o boom das compras online perdeu força após a pandemia de covid-19 e a empresa acabou envolta em polêmicas, como denúncias de jornadas de trabalho abusivas na China.
💰 Para se ter ideia, a Shein chegou a ser avaliada em até US$ 100 bilhões em 2022. No entanto, foi reavaliada em US$ 66 bilhões em 2023, na sua última rodada de financiamento. E estaria buscando uma avaliação de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões com o IPO, segundo a "Reuters".
Este valuation colocaria a Shein abaixo de um dos seus principais concorrentes: a
PDD Holdings, a controladora da Temu, que tem ações listadas na Nasdaq e vale quase US$ 123 bilhões nesta sexta-feira (10).
Por outro lado, é bem superior ao valor de mercado de varejistas tradicionais de moda, como a H&M, que mantém ações na bolsa de Estocolmo e é avaliada em pouco mais de US$ 27 bilhões no momento.
Apesar disso e do cenário desafiador enfrentado pelo varejo em meio ao avanço da inflação, a expectativa é de que a Shein avance com o IPO ainda em 2026. Segundo a "Reuters", a listagem pode ocorrer entre setembro e outubro.
Para isso, a empresa precisa apresentar seus planos para os investidores e ainda deve passar por uma audiência de listagem na bolsa de Hong Kong.
IPOs avançam na China
📈 O mercado de IPOs vive um bom momento na China. Só no primeiro semestre deste ano, 129 empresas estrearam nas bolsas chinesas, segundo a Ernst & Young. E a expectativa é que esse número chegue a 180 no acumulado do ano.
De acordo com a Ernst & Young, empresas chinesas que buscam expansão global preferem cada vez mais Hong Kong como porta de entrada para o capital internacional.
Ainda assim, algumas companhias tiveram que adiar o plano ou listar suas ações a preços inferiores ao esperado devido à volatilidade vista no mercado diante do aumento das tensões geopolíticas.
Vale ressaltar ainda que a maior parte dos IPOs realizados nos últimos meses são do setor de tecnologia,
inteligência artificial e semicondutores. Já empresas de varejo como a Shein ainda não abriram capital na China neste ano, até o momento.