Selic vai cair mais? Confira as apostas do mercado após o Copom

Copom não cravou o rumo dos juros, mas analistas esperam novo corte de 0,25 p.p. em junho.

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Publicado em 30/04/2026 às 10:01h Publicado em 30/04/2026 às 10:01h por Marina Barbosa
Selic caiu de 14,75% para 14,50% nessa quarta-feira (Imagem: Shutterstock)
Selic caiu de 14,75% para 14,50% nessa quarta-feira (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), levando a Selic para 14,50%. Porém, disse que agora o rumo dos juros depende dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
🏦 Na avaliação do mercado, o comunicado do Copom trouxe sinais mistos. Por isso, deixa a porta aberta para qualquer movimento. Ou seja, permite que o comitê mantenha esse ritmo, acelere ou até pause o ciclo de corte de juros na sua próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho.
Ainda assim, a maior parte dos analistas espera que os juros sigam em queda, mas de forma gradual. Até quem previa um corte maior agora admite a possibilidade de um movimento mais cauteloso em junho, que deve levar a taxa básica de juros para 14,25%.
O Itaú BBA, por exemplo, projetava um corte de 0,50 ponto percentual, mas agora prevê um novo ajuste de 0,25 ponto percentual dos juros em junho, por entender que o Copom deu sinais de um certo desconforto com as expectativas atuais para a taxa terminal de juros.

Até onde vai a Selic?

💲 Segundo o Boletim Focus, o consenso do mercado é de que a Selic cairá para 13,00% até o final do ano. Porém, o Itaú BBA já trabalha com juros de 13,25% ao final do ano. A XP é ainda mais cauteloso e vê a Selic em 13,50% no fim de 2026.
"Uma calibração menor ou mais lenta vem se tornando mais provável, uma vez que avaliamos que o cenário inflacionário pode se deteriorar adicionalmente à frente", afirmou a XP, que ainda projeta um corte de 0,50 ponto percentual dos juros em junho, mas reconhece a possibilidade de um ajuste mais cauteloso.
Já a Austin Rating vê juros de 12,50% ao final do ano, mas acredita que a Selic passará por um novo ajuste de apenas 0,25 ponto percentual em junho. A avaliação é de que há espaço para novos cortes já que os juros altos têm pesado sobre a atividade econômica, mas que os ajustes devem ser graduais devido às incertezas trazidas pela guerra.
"Se as projeções estão mais incertas, o Copom precisa ser mais cauteloso e não fazer mudanças bruscas na política monetária", comentou o economista da Austin Rating, Rodolpho Sartori.
CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás reforçou que, diante do atual cenário de incertezas e do tom conservador do Copom, "cortar não significa afrouxar, significa calibrar".
"O Banco Central reconhece desaceleração da atividade, porém mantém o radar ligado para três vetores críticos: inflação de serviços resiliente, câmbio pressionado e risco geopolítico contaminando commodities. O Brasil reduz juros com o pé no freio", comentou Olívia.

O que disse o Copom?

🧾 Ao cortar a Selic para 14,50%, o Copom observou que a inflação e as expectativas de inflação aceleraram nas últimas semanas, ficando ainda mais distantes da meta de 3%. 
O próprio comitê elevou a sua expectativa de inflação de 3,3% para 3,5% no quarto trimestre de 2027, o atual horizonte relevante da política monetária -uma mudança mais brusca do que o esperado pelo mercado.
Porém, também observou que a incerteza acerca dessas projeções foi "elevada consideravelmente", em função da falta de clareza sobre a duração do conflito no Oriente Médio e dos seus efeitos econômicos.
Por isso, voltou a dizer que o cenário exige cautela e condicionou os próximos passos da Selic aos desenrolar do conflito.
"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz o comunicado do Copom.
Apesar dessas incertezas, o Copom manteve o balanço de riscos para a inflação simétrico. Ou seja, tanto com riscos de alta, quanto com riscos de baixa da inflação.
Além disso, observou que a atividade econômica brasileira vem dando sinais de desaceleração, devido à pressão dos juros altos, o que abre espaço para "ajustes" da política monetária.
"O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta", diz o comunicado.

A avaliação do mercado

Para a XP, o comunicado do Copom foi conservador ao indicar uma piora das expectativas de inflação, mas também suave, ao reiterar que as atuais condições monetárias restritivas têm sido efetivas para conter o crescimento da atividade.
"Em outras palavras, a deterioração do cenário inflacionário não foi suficiente para alterar o plano do Copom de continuar calibrando (isto é, reduzindo) a taxa de juros", observou a XP, dizendo que agora os desdobramentos da guera vão determinar a extensão e o ritmo dessa calibragem.
"Apesar da projeção de inflação no horizonte relevante ter vindo acima do esperado, o BC manteve o balanço de riscos simétrico e nenhuma mudança no guidance. Ou seja, vai seguir cortando no ritmo de 25bps", acrescentou Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital.