Renda fixa puxa freio de mão em 2026, afetando CRAs, CRIs e debêntures; entenda

Empresas estão buscando cada vez menos dinheiro emprestado de investidores via emissão de dívida.

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Publicado em 21/05/2026 às 16:05h Publicado em 21/05/2026 às 16:05h por Lucas Simões
Títulos de renda fixa registram quedas de quase -60% na oferta de emissões (Imagem: Shutterstock)
Títulos de renda fixa registram quedas de quase -60% na oferta de emissões (Imagem: Shutterstock)
Se 2025 foi o ano soberano da renda fixa brasileira, a régua comparativa ficou muito alta para se acompanhar em 2026, tanto que os principais tipos de investimentos em crédito privado já registram emissões até 60% menores durante os quatro primeiros meses do ano ante o saldo apurado um ano antes.
Os dados revelados pela Anbima (Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana apontam que as empresas pegaram emprestado dos investidores de renda fixa cerca de R$ 119,7 bilhões só com a emissão de debêntures entre janeiro e abril de 2026, queda de -5,6% na comparação anual. 
Quase R$ 60 bilhões foram destinados apenas para as chamadas debêntures incentivadas, em que o governo brasileiro isenta a cobrança de imposto de renda aos debenturistas como forma de incentivar projetos de infraestrutura no país.
No detalhe, o prazo médio das novas emissões de debêntures em 2026 atingiu 8,2 anos, um pouco abaixo do contabilizado em igual intervalo de 2025, quando o prazo médio era de 8,8 anos.
Ou seja, as companhias brasileiras têm encontrado maior dificuldade para alongar o prazo de suas dívidas em meio a um ambiente ainda elevado da taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano, bem como os juros reais longos no Tesouro Direto, acima de IPCA+ 7% ao ano.

Mudanças na renda fixa

Só que mais dramática ainda é a situação de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), títulos de renda fixa também isentos, mas cujas emissões em 2026 só somaram R$ 3,9 bilhões e R$ 12,8 bilhões, respectivamente, contrações de -58,3% e -18,9% na comparação com 2025. 
Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, a baixa oferta de certos investimentos de renda fixa em 2026 coincide com o forte crescimento de outros produtos financeiros, caso dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que chegaram a R$ 36,4 bilhões no quadrimestre, alta de +47,6%. 
“Além do crescimento robusto no volume de FIDCs no acumulado do ano, vale ressaltar que o valor médio de R$ 111,2 milhões por operação é o menor entre todos os instrumentos, reforçando seu papel de porta de entrada para muitas empresas no mercado de capitais ao permitir o acesso a um financiamento estruturado, previsível e alinhado ao fluxo de recebíveis”, comenta o especialista. 
No total, o mercado de capitais brasileiro (reunindo tanto investimentos em renda fixa quanto em renda variável) movimentou R$ 236,1 bilhões em ofertas no primeiro quadrimestre, distribuídos em 918 operações, apresentando um crescimento de 15,5% no volume e de 10,5% na quantidade de emissões em relação ao registrado no mesmo período de 2025.