A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) captou uma mudança de comportamento relevante dos investidores, revelando que o dinheiro voltou para as mãos dos gestores profissionais ao longo de agosto, dado que a indústria de
fundos de investimento teve entradas líquidas de R$ 33,9 bilhões no mês, revertendo o saldo negativo de R$ 15,6 bilhões observado em julho.
Em 2026, a captação líquida de dinheiro nas mãos de gestores profissionais está positiva em R$ 261 bilhões, sendo boa parte do resultado graças aos
fundos de renda fixa. De uma saída líquida de R$ 17,6 bilhões em julho, a categoria embolsou R$ 47,2 bilhões em agosto.
Chama a atenção que a preferência dos investidores está nos fundos do tipo duração e crédito livre, responsáveis por ingressos líquidos de R$ 14,9 bilhões no mês. Tais fundos de renda fixa estão longe de se limitar ao
Tesouro Direto e investem mais de 20% da sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito no Brasil ou exterior.
"A renda fixa segue como principal vetor de captação da indústria, refletindo a busca dos investidores por previsibilidade diante do ambiente de juros ainda elevado e da proximidade das eleições, o que tende a ampliar a volatilidade dos mercados", afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Já o apetite por
ações brasileiras se prova cambaleante mais uma vez, dado que os
fundos de ações encerraram agosto com captação líquida negativa de R$ 512,4 milhões, ainda que o resultado negativo tenha sido melhor do que o registrado em julho, quando as saídas chegaram a R$ 1,5 bilhão. No acumulado do ano, os resgates somam R$ 8,1 bilhões.