Raízen (RAIZ4) convence mais credores de recuperação extrajudicial

O apoio à reestruturação subiu para 80,15%, elevando as chances de homologação judicial.

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Publicado em 12/06/2026 às 13:10h Publicado em 12/06/2026 às 13:10h por Marina Barbosa
Raízen tenta renegociar R$ 64,7 bilhões em dívidas com recuperação (Imagem: Divulgação)
Raízen tenta renegociar R$ 64,7 bilhões em dívidas com recuperação (Imagem: Divulgação)
A Raízen (RAIZ4) conseguiu fortalecer o apoio ao seu plano de recuperação extrajudicial, que prevê a renegociação de R$ 64,7 bilhões em dívidas.
🤝 A companhia já havia conseguido o aval de 75,45% dos credores para avançar com a recuperação. Porém, outros credores decidiram aceitar as condições propostas pela empresa nos últimos dias. 
Por isso, a Raízen informou nesta sexta-feira (12) que o percentual de apoio ao plano subiu para 80,15% dos créditos reestruturados.
"Esse apoio adicional ratifica a ampla adesão ao Plano como solução abrangente para a reestruturação do endividamento financeiro do Grupo Raízen, com o objetivo de equacionar suas necessidades de liquidez de curto e médio prazo e estabelecer uma estrutura de capital sustentável no longo prazo", afirmou.
⚖️ Com isso, a companhia eleva as chances de ter o seu plano de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça.
A Justiça exige o apoio de ao menos 51% dos credores atingidos pela renegociação para confirmar o plano, estendendo-o aos demais credores.
Porém, também dá um prazo de 30 dias para eventuais objeções dos credores antes de tomar uma decisão final sobre o assunto. Por isso, só deve dar um ultimato sobre a recuperação extrajudicial da Raízen em julho.

Recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial da Raízen prevê a renegociação de R$ 64,7 bilhões em dívidas, um valor inédito no país.
💲 A cifra abrange apenas dívidas financeiras, como aquelas mantidas com bancos e investidores de renda fixa. Ou seja, não contempla dívidas operacionais, como as obrigações mantidas com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios.
A proposta da Raízen é converter 45% desses débitos em ações e refinanciar os demais 55%, por meio da emissão de novos títulos de dívida, com prazo de vencimento mais longo.
Já débitos de menor valor poderão ser pagos à vista, com um desconto de 25%. Esta opção, porém, está limitada a um orçamento máximo de R$ 150 milhões.

Impacto operacional

Para garantir a recuperação da Raízen, o plano também prevê um aporte de até R$ 4 bilhões no negócio. O recurso deve ser aportado pelos controladores da empresa, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell (SHEL) e possivelmente mais R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos, o veículo de investimentos de Rubens Ometto, da Cosan (CSAN3).
⛽ A companhia ainda propôs a cisão dos seus negócios entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis -a primeira focada na produção de açúcar, etanol e bioenergia e a segunda com atuação no mercado de distribuição e comercialização de combustíveis.
Nessa reorganização societária, ativos considerados não essenciais da Raízen Energia podem ser vendidos, como determinadas usinas de cana-de-açúcar. Já a Raízen Combustíveis pode ganhar um novo investidor, o que poderia envolver uma oferta secundária de ações.
De acordo com a Raízen, o plano representa uma solução abrangente para a reestruturação do seu endividamento financeiro, com efeitos de curto, médio e longo prazo.
"Com a sua implementação, a Companhia espera reduzir significativamente sua alavancagem, preservar a continuidade operacional e assegurar tratamento equitativo aos credores. Adicionalmente, o Plano deverá gerar liquidez relevante e reduzir os desembolsos nos próximos anos, aliviando o fluxo de caixa e posicionando a Companhia para retomada de sua trajetória de geração de valor", afirmou.