📊 O mercado de capitais brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um marco histórico.
De acordo com dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), as ofertas totalizaram R$ 361,8 bilhões no período, o resultado mais expressivo desde que a entidade passou a monitorar o mercado, em 2012.
O volume supera em 9,8% o registrado nos seis primeiros meses de 2025, distribuído em 1.513 operações, 13% a mais do que no mesmo intervalo do ano anterior.
Para Cesar Mindof, diretor da Anbima, a combinação entre instabilidade externa e juros elevados acabou estimulando uma diversificação maior nas captações, abrindo espaço para que instrumentos híbridos e a renda variável ganhassem protagonismo no período.
FIIs e Fiagros batem marcas históricas
Apesar de a renda fixa concentrar a maior fatia das captações, com R$ 288,8 bilhões, o semestre foi marcado pelo desempenho excepcional dos instrumentos híbridos.
Os
FIIs (fundos imobiliários) atingiram R$ 39,5 bilhões em emissões, mais que dobrando o volume captado um ano antes, com alta de 103,9%.
Os
Fiagros, por sua vez, aceleraram ainda mais. Os R$ 8,3 bilhões registrados representam crescimento de 288,3% na comparação anual, um resultado que não tem precedente na série histórica para o período.
No total, os títulos híbridos somaram R$ 47,8 bilhões, também um recorde para um primeiro semestre.
Por trás desse resultado estão dois grupos de investidores que ampliaram expressivamente sua participação: as pessoas físicas, que mais que dobraram o volume aplicado, de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões, e os fundos de investimento, que triplicaram suas subscrições, saltando de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões.
Renda variável volta ao radar com IPO inédito
Um dos sinais mais simbólicos do semestre foi o retorno das aberturas de capital. O mercado registrou o primeiro
IPO após um longo intervalo sem estreias na bolsa, além de oito operações de follow-on que somaram R$ 22,2 bilhões.
O número de ofertas de renda variável dobrou em relação ao mesmo período de 2025, o que reforça a percepção de que o mercado acionário começa a retomar o ritmo.
Debêntures caem em volume
Na renda fixa, as
debêntures mantiveram protagonismo, mas com desempenho mais modesto. O volume captado chegou a R$ 169,8 bilhões, recuo de 12,1% frente ao primeiro semestre de 2025, ainda que o número de operações tenha crescido de 268 para 278.
As debêntures incentivadas responderam por 38,3% do total, com o setor de energia elétrica concentrando mais da metade dessas emissões.
O mercado secundário de debêntures, por outro lado, apresentou expansão relevante, com volume negociado de R$ 494,6 bilhões, crescimento de 20,6% na comparação anual.
CRIs e CRAs registraram retração, com volumes de R$ 20,3 bilhões e R$ 7,1 bilhões, quedas de 15,8% e 50,4%, respectivamente.
As notas comerciais bateram recorde em número de operações no primeiro semestre, com 123 transações, alta de 43%, embora o volume financeiro tenha recuado 11,4%. Os FIDCs somaram R$ 53,1 bilhões em 559 operações no período.
Captações externas atingem o melhor resultado em 12 anos
No mercado internacional, as captações brasileiras chegaram a US$ 24,8 bilhões no primeiro semestre, o patamar mais alto desde 2014.
O governo brasileiro foi o principal emissor, com US$ 14,6 bilhões em ofertas, o equivalente a 58,9% do total.
📈 Instituições financeiras captaram US$ 2,5 bilhões e empresas levantaram US$ 7,7 bilhões no exterior ao longo do semestre.