📈 O JP Morgan promoveu nesta segunda-feira (27) uma revisão ampla de suas recomendações para as petroleiras brasileiras, após incorporar as novas premissas de preço do
petróleo decorrentes do conflito no Oriente Médio.
O banco elevou a estimativa para o Brent de US$ 62 para US$ 85 o barril ao final de 2026 e de US$ 63 para US$ 75 em 2027, refletindo a alteração significativa na dinâmica global de oferta e demanda provocada pela guerra entre EUA e Irã.
Prio tem o melhor perfil de risco-retorno
Na avaliação do JP Morgan, a Prio se destaca como a principal empresa independente de petróleo e gás do Brasil, combinando robusta geração de caixa com crescimento consistente e eficiência operacional. O novo preço-alvo de R$ 73 representa potencial de valorização de 16,6% sobre o fechamento da última sexta-feira (24).
As ações fecharam o dia com alta de 2,75%, negociadas a R$ 64,35, segunda maior alta do
Ibovespa.
"Com 2026 marcando o início da operação do campo de Wahoo, já com dois poços produzindo cerca de 10 mil barris/dia cada, e a consolidação de Peregrino, a companhia está posicionada para expansão operacional", afirmou o banco.
O JP Morgan projeta que a Prio atinja cerca de 200 mil barris/dia até o final do ano, consolidando-a como ativo líquido e relevante para retorno aos acionistas. O diferencial central é a ausência de hedge.
"Com exposição não protegida à recente alta do petróleo, a Prio deve capturar integralmente os benefícios de um ambiente favorável", afirmou o banco.
"Em um setor marcado por renovada volatilidade, acreditamos que a Prio oferece o melhor perfil de risco-retorno, sustentado por forte crescimento e geração de caixa", concluiu.
Brava: OPA da Ecopetrol levanta dúvidas de governança
O JP Morgan rebaixou a Brava Energia de compra para neutra, com preço-alvo reduzido de R$ 23 para R$ 20, o que ainda representa potencial de valorização de 5,2% sobre o fechamento da sexta-feira (24). As ações encerraram o pregão com queda de 0,11%, a R$ 18,99.
Os analistas Milene Carvalho, Rodolfo Angele e Henrique Cunha apontaram que a estratégia de hedge da Brava limitou sua capacidade de capturar o potencial de alta dos preços do petróleo.
"As estratégias de hedge de Brava limitaram sua capacidade de capturar todo o potencial de alta dos preços do petróleo, resultando em uma geração de valor ao acionista menos atrativa em comparação à Prio", escreveram no relatório.
O Morgan Stanley, que havia rebaixado as ações da Brava para neutra na sexta-feira (24), também avaliou que o preço de oferta de R$ 23 por ação deve atuar como âncora no curto prazo, limitando o potencial de valorização.
"O racional da operação não é imediatamente evidente, especialmente em termos de ganhos operacionais, mesmo considerando o preço de entrada atrativo para a Ecopetrol", escreveram Bruno Montanari, Thiago Casqueiro e Luiza Belém.
"Na nossa visão, há poucas sinergias incrementais ou melhorias operacionais sob a estrutura proposta, além de maior acesso a capital e possível melhora no rating de crédito", acrescentaram.
O Morgan Stanley cortou o preço-alvo das ações de R$ 28 para R$ 23, o que ainda implica alta de 21% sobre o fechamento anterior.
PetroRecôncavo tem crescimento limitado, dizem analistas
O JP Morgan também rebaixou a
PetroRecôncavo (RECV3) de compra para neutra, elevando o preço-alvo de R$ 13 para R$ 14, o que implica potencial de valorização limitado de 3,9% sobre o fechamento anterior.
As ações chegaram a recuar 3,71%, a R$ 12,97, na mínima intradia, e fecharam com queda de 2,75%, a R$ 13,10.
Na avaliação do banco, a PetroRecôncavo, operadora puramente onshore, apresenta perfil mais simples, mas com perspectivas de crescimento mais limitadas. A estratégia de hedge da companhia também restringiu a capacidade de capturar totalmente a alta recente do petróleo.
"Somado a um crescimento e geração de caixa relativamente mais fracos, esses fatores tornam o caso de investimento menos atrativo em relação à Prio", afirmou o banco.
📊 A PetroRecôncavo é negociada a 3,9 vezes o múltiplo EV/Ebitda e apresenta rendimento de FCF de 7,5% para 2026.