Queda do IBOV atinge Argentina e derruba mercados; dólar atinge máxima histórica

Mercado argentino reage à eleição de Lula, com queda do Merval e alta do risco-país.

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Publicado em 27/10/2026 às 10:11h Publicado em 27/10/2026 às 10:11h por Wesley Santana
País vizinho tem economia atrelado ao Brasil, enfrentando impactos da baixa dos mercados (Imagem: Shutterstock)
País vizinho tem economia atrelado ao Brasil, enfrentando impactos da baixa dos mercados (Imagem: Shutterstock)

Enquanto o Ibovespa (IBOV) apresentava forte queda no Brasil, os impactos disso também eram sentidos do outro lado da fronteira. Na Argentina, os mercados reagiram de forma negativa à eleição de Lula (PT) para seu quarto mandato.

O índice Merval terminou o dia com baixa de 3%, conforme dados da bolsa local. Também houve aumento na cotação do dólar, que subiu de 1.540 para 1.560, atingindo sua máxima histórica, segundo o Banco Central.

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Os títulos de dívida do governo argentino, por sua vez, recuaram quase 3%. Já o risco-país acelerou mais de 8% e voltou ao patamar de 765 pontos, segundo informações do JP Morgan.

Os efeitos no mercado argentino se justificam no fato de que o país é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Diante disso, qualquer mudança que ocorra na maior economia da América Latina também é sentida em Buenos Aires.

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Além disso, parte das empresas argentinas, como o Mercado Livre (MELI34), tem forte exposição ao Brasil. Diante disso, mudanças políticas e econômicas podem mudar as previsões de uma hora para outra.

As ações do marketplace, por exemplo, recuaram mais de 1,2% ao longo do dia, mas chegaram a registrar queda de 7,8% em determinados períodos. Já o Banco do Brasil (BBAS3), controlador do argentino Patagônia, chegou a perder 30% do seu valor de mercado, terminando a sessão em R$ 17,45.

A reação do mercado veio do resultado eleitoral, que foi contrário ao que indicavam as pesquisas eleitorais. Lula (PT) conseguiu virar votos desde o primeiro turno e terminou com mais de 4,4 milhões de votos à frente de Flávio Bolsonaro (PL).

No começo do mês, o mercado já havia precificado e se posicionado para uma eventual vitória do candidato da direita. No entanto, foi necessário fazer um recálculo da rota depois da noite de domingo.

“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo… em um mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses (entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França), a lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, diz o economista Gustavo Ber, em entrevista à TMC.