O ex-presidente do
BRB (BSLI4), Paulo Henrique Costa, manifestou o interesse em fazer um acordo de delação premiada.
🏦 O executivo foi
preso há cerca de duas semanas, por causa do envolvimento nas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Agora, pediu para deixar o Complexo Penitenciário da Papuda e cumprir a pena de prisão em um local em que possa manter conversas sigilosas com seus advogados e, assim, preparar-se para uma eventual delação.
O pedido foi enviado nessa segunda-feira (27) ao ministro André Mendonça, o relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal).
Na petição, os advogados do ex-presidente do BRB dizem que o executivo tem interesse em cooperar com as autoridades nas investigações sobre o caso Master, "possivelmente por meio de colaboração premiada".
Porém, alegam que não é possível discutir os fatos e manusear as provas que dariam embasamento à delação na cela ocupada atualmente por Paulo Henrique Costa. Por isso, pedem a sua transferência para um local que garanta a confidencialidade dessas conversas.
Os advogados lembram ainda que o cliente é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente, o que lhe daria direito à prisão especial, em sala de Estado-Maior.
O executivo é suspeito de não seguir as práticas usuais de governança enquanto estava no comando do BRB e de ter recebido propina de Daniel Vorcaro, o fundador do Master.
Durante a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB teria injetado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master e ainda tentou comprar a instituição de Daniel Vorcaro -um negócio que só não foi à frente por causa do veto do BC (Banco Central). Em troca, Costa teria recebido imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Vorcaro.
Vorcaro também busca delação
Dessa forma, Paulo Henrique Costa segue o caminho trilhado por
Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master, após a prisão pela PF (Polícia Federal).
Vorcaro foi preço no início de março, depois que as investigações policiais revelaram que o banqueiro estava envolvido nas fraudes financeiras do Master, mas também em possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Poucas semanas depois, foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da PF para dar início às tratativas de uma delação premiada.
Pelo rito legal, os possíveis delatores deve entregar às autoridades competentes um relatório preliminar sobre os fatos que pretendem narrar, além dos nomes envolvidos na trama.
Depois isso, são negociados os termos da transação. Afinal, em troca dessas informações, os delatores recebem benefícios, como uma eventual redução de pena, regime diferenciado de prisão ou até perdão judicial.
Caso essa negociação avance, têm início os depoimentos formais, em que os delatores devem detalhar e apresentar provas sobre os fatos narrados -ou ao menos indicar como as autoridades podem obter essas provas.
Cunhado de Vorcaro e operador financeiro dos esquemas do Master, Fabiano Zettel também está preso e pode seguir o mesmo caminho.
A expectativa é de que as delações exponham os detalhes do que pode ser a maior fraude bancária do país, mas também esclareçam as conexões do ex-banqueiro com autoridades e políticos brasileiros.