Nubank (ROXO34) lucra US$ 871 milhões, mas decepciona Wall Street e ações caem

A instituição registrou um lucro líquido de US$ 871 milhões no período, um avanço de 41% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

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Publicado em 14/05/2026 às 19:33h Publicado em 14/05/2026 às 19:33h por Matheus Silva
A reação dos investidores na bolsa de valores de Nova York foi imediata (Imagem: Shutterstock)
A reação dos investidores na bolsa de valores de Nova York foi imediata (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Nubank (ROXO34) apresentou seus números referentes ao primeiro trimestre de 2026 nesta quinta-feira (14). 
A instituição financeira registrou um lucro líquido de US$ 871 milhões no período, o que representa um avanço de 41% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Apesar do crescimento robusto, o resultado não foi suficiente para agradar os analistas do mercado financeiro, que projetavam uma cifra próxima de US$ 980 milhões.
A reação dos investidores na bolsa de valores de Nova York foi imediata. Logo após a divulgação do balanço, as ações da companhia operavam em forte queda de 9% no mercado pós-fechamento. 
No acumulado do ano, os papéis do banco digital já registram uma desvalorização de 24%, refletindo um período de maior cautela por parte dos acionistas em relação ao setor bancário digital.

O desafio das provisões e a inadimplência

Um dos pontos que mais chamou a atenção no relatório foi o aumento das provisões contra devedores duvidosos. Segundo informou o diretor financeiro Guilherme Lago em entrevista à Reuters, o lucro líquido foi impactado pelo crescimento mais forte na concessão de crédito. 
Quando o banco empresta mais, ele precisa separar uma reserva financeira maior antecipadamente para cobrir possíveis calotes, o que acaba pesando no resultado final do trimestre.
A inadimplência também entrou no radar de preocupação dos investidores. O índice de atrasos entre 15 e 90 dias subiu para 5,0%, superando os 4,1% registrados no trimestre anterior. 
Por outro lado, o indicador de atrasos acima de 90 dias apresentou uma leve melhora, passando de 6,6% para 6,5%. A diretoria do banco argumenta que essa oscilação faz parte da sazonalidade natural do início do ano e que a empresa tem confiança nos seus modelos de risco para manter a rentabilidade.

Expansão internacional e o papel da Inteligência Artificial

Mesmo com o cenário turbulento nas bolsas, o Nubank atingiu marcos importantes na sua operação internacional. 
A base de clientes chegou a 135,2 milhões de pessoas, com destaque para o México, onde a operação alcançou o ponto de equilíbrio financeiro pela primeira vez. Quanto ao mercado dos Estados Unidos, a instituição sinalizou que manterá uma expansão cautelosa, limitando os investimentos nos próximos dois anos.
O futuro da companhia parece estar cada vez mais atrelado à tecnologia. O fundador e CEO do banco, David Vélez, destacou que a prioridade total agora é a Inteligência Artificial
“Não estamos adicionando IA ao sistema financeiro, estamos reconstruindo o sistema financeiro em torno da IA”, afirmou Vélez. A empresa já utiliza modelos próprios de tecnologia, chamados de NuFormer, para gerenciar operações de cartões e empréstimos no Brasil e no México.

Desempenho operacional e rentabilidade

Apesar da queda nas ações, o Nubank manteve indicadores de eficiência elevados. O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) anualizado ficou em 29%. 
📊 Para efeito de comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4) fechou o período com um ROE de 24%. A receita total da companhia também bateu recorde, atingindo US$ 5,3 bilhões, um salto de 42% em relação ao ano anterior.