Com bônus de Itaipu, IPCA-15 vem com deflação de 0,4% em agosto

Esse é o melhor resultado da inflação em quase quatro anos; conta de luz ajudou na variação.

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Publicado em 26/08/2026 às 10:07h Publicado em 26/08/2026 às 10:07h por Wesley Santana
Levantamento considera 15 dias de dois meses diferentes (Imagem: Shutterstock)
Levantamento considera 15 dias de dois meses diferentes (Imagem: Shutterstock)

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado a prévia da inflação, recuou 0,4% no mês de agosto. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e indicam a maior deflação nos preços em quase quatro anos.

Com isso, no acumulado dos últimos 12 meses, o indicador apresenta alta de 3,09%, ligeiramente acima do centro da meta inflacionária. O intervalo definido pelo Banco Central é de 1,5% a 4,5% ao ano.

O número revelado nesta quarta é ainda mais positivo do que o registrado no mesmo mês do ano passado. Em agosto de 2025, a variação havia sido negativa em 0,14%, mostram dados do IBGE.

Segundo o instituto, o principal responsável pela baixa recente foi o setor de Habitação, que recuou 1,41%. Essa categoria contempla faturas de água e esgoto, gás encanado, além da energia elétrica.

Essa última teve papel fundamental, já que os consumidores receberam o bônus de Itaipu direto na conta de luz. O valor faz parte dos lucros do governo com a comercialização da energia gerada na usina de Foz do Iguaçu.

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Outro destaque foi o de Transporte, que caiu exatamente 1% ao longo de 30 dias. O movimento foi puxado especialmente pela passagem aérea e combustíveis.

Já o ramo de Alimentação e bebidas caiu 0,57%, puxado pela redução na alimentação no domicílio. Também houve redução em produtos de supermercado, como tomate (-27%), batata-inglesa (-25%), cenoura (-17%) e café moído (-2,3%).

Já as despesas pessoais seguraram para que a baixa não fosse ainda maior, subindo 0,66% e liderando as altas. Educação (0,46%) e Saúde e cuidados pessoais (0,40%) também influenciaram a inflação do período.

O cálculo do IPCA-15 considerou o intervalo entre os dias 16 de julho e 14 de agosto de 2026. A pesquisa foi realizada nas principais capitais do país e é focada no consumo de famílias que têm rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos por mês.

A deflação já era esperada por parte do mercado, que contava com ela para recalibrar as apostas para os juros. Agora, os analistas estão de olho no El Niño, que pode interferir nas safras e fazer os preços de produtos subirem nos próximos meses.