Lucro da ISA Energia (ISAE4) dispara 246% e chega a R$ 1,9 bi no 3T26

A transmissora elevou o lucro recorrente em 14%, enquanto novos ativos e reajustes tarifários impulsionaram o resultado operacional.

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Publicado em 03/11/2026 às 21:19h Publicado em 03/11/2026 às 21:19h por Matheus Silva
O desempenho operacional da companhia também apresentou evolução (Imagem: Shutterstock)
O desempenho operacional da companhia também apresentou evolução (Imagem: Shutterstock)
🚨 A ISA Energia (ISAE4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,9 bilhão, avanço de 246% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento expressivo, porém, foi influenciado por um evento extraordinário relacionado à reorganização de participações societárias com a Axia Energia (AXIA3).
Para avaliar o desempenho operacional da transmissora sem esse impacto pontual, a companhia também apresentou o lucro líquido pró-forma, que desconsidera o efeito da operação. Nessa métrica, o resultado alcançou R$ 625 milhões, crescimento de 14% na comparação anual.
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A diferença entre os dois indicadores evidencia o peso do ajuste contábil sobre o balanço. Embora tenha impulsionado o lucro reportado, esse evento não representa, por si só, uma expansão equivalente da geração recorrente de resultados da empresa.
O desempenho operacional também apresentou evolução. O Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 3,19 bilhões, alta de 259% em um ano. Na apuração pró-forma, o indicador atingiu R$ 1,25 bilhão, avanço de 41%.

Novos ativos impulsionam resultado operacional

Segundo a administração da ISA Energia, o crescimento dos indicadores recorrentes esteve associado à entrada em operação de novos projetos de transmissão, incluindo linhas e subestações, além da consolidação de um novo ativo de grande porte.
A companhia também apontou os reajustes tarifários e o controle de custos como fatores que contribuíram para o desempenho do trimestre. A combinação desses elementos ampliou a receita operacional e sustentou o avanço do lucro e do Ebitda ajustados pelo efeito extraordinário.
Durante a apresentação dos resultados, o presidente-executivo Rui Chammas afirmou que a empresa continua avaliando oportunidades nos próximos leilões de transmissão de energia. 
A participação, entretanto, depende da análise das condições financeiras e do custo de capital esperado para os próximos anos.

Endividamento cresce, mas alavancagem recua

A expansão dos investimentos também se refletiu na estrutura de capital da transmissora. Ao final de setembro, a dívida líquida da ISA Energia alcançou R$ 17 bilhões, aumento de 20% em relação ao encerramento de 2025.
Apesar do crescimento do endividamento em valores absolutos, o indicador de alavancagem apresentou redução. A relação entre dívida líquida e Ebitda passou de 3,63 vezes no fim do ano passado para 3,5 vezes em setembro de 2026.
A administração explicou que o financiamento dos projetos costuma ocorrer antes de os novos ativos começarem a gerar receita. Assim, o aumento inicial da dívida tende a anteceder a entrada em operação das estruturas de transmissão e a consequente expansão do faturamento.
A diretora financeira Silvia Wada também avaliou que a composição da dívida oferece uma proteção natural à companhia. Segundo ela, uma parcela expressiva dos compromissos está vinculada ao IPCA, índice que também influencia a atualização das receitas da transmissora.

Companhia avalia novos leilões e investimentos na rede

Além dos projetos em construção, a ISA Energia mantém uma carteira de reforços e melhorias em sua estrutura de transmissão. As iniciativas, autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representam R$ 7,6 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos e podem gerar receitas adicionais para a companhia.
A empresa também acompanha a próxima licitação de lotes de transmissão, prevista para o início de 2027. Embora tenha identificado oportunidades no certame, ainda não decidiu se apresentará propostas.
Outro segmento em avaliação é o de sistemas de armazenamento de energia por baterias. A ISA já possui experiência nesse mercado e opera o primeiro sistema de grande escala do país, mas ainda estuda sua participação no próximo leilão.
Nesse tema, existe uma divergência entre a companhia e a Aneel sobre as condições regulatórias aplicáveis às transmissoras. 
A ISA discorda do entendimento de que eventuais receitas obtidas com a atividade de armazenamento deveriam seguir as regras dos contratos de concessão e ser parcialmente revertidas para a modicidade tarifária.
📊 A discussão ainda está em análise pela empresa e pode influenciar sua decisão sobre participar da disputa.