Selic a 7,5%? Economista apresenta proposta para reduzir juros no governo Lula

André Lara Resende defende queda gradual da taxa básica ao longo dos próximos 12 meses.

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Publicado em 03/11/2026 às 11:31h - Atualizado em 03/11/2026 às 13:59h Publicado em 03/11/2026 às 11:31h Atualizado em 03/11/2026 às 13:59h por Wesley Santana
Lara já ocupou diversos cargos na política brasileira ao longo dos últimos anos (Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado)
Lara já ocupou diversos cargos na política brasileira ao longo dos últimos anos (Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado)

Na última semana, um dos economistas mais respeitados do Brasil fez uma proposta para a trajetória dos juros no governo Lula 4. André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real, defende a redução da Selic de forma provocativa nos próximos 12 meses até que o indicador atinja a faixa de 7,5% ao ano.

O especialista lembra que o serviço da dívida pública já equivale a mais de 10% do PIB anual, sendo responsável pela trajetória da relação dívida/PIB. Por isso, ele acredita que sem a redução dos juros não há ajuste fiscal que interrompa o crescimento da dívida pública.

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"Para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano. Este spread de segurança seria periodicamente reavaliado e gradualmente reduzido até ser eliminado”, diz ele.

Em sua análise, a redução de quase 5 pontos percentuais seria suficiente para uma queda drástica nos gastos anuais. Hoje, grande parte das receitas do país é gasta na rolagem da dívida.

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"A redução do custo médio da dívida de quase 13% para 7,5% ao ano, numa dívida que corresponde a 80% do PIB, equivale a uma economia fiscal de cerca de 4% do PIB ao ano. A economia não é instantânea: as LFTs, mais da metade da dívida, passam a render menos imediatamente; os títulos prefixados e os indexados à inflação, à medida que forem rolados”, continua.

A Selic é a ferramenta monetária utilizada para controlar a inflação no país, que tem meta fixada em 3% ao ano. Desta forma, o Banco Central intervém no movimento da economia, pressionando por aquecimento ou resfriamento da atividade.

"O Brasil tem problemas sociais e institucionais graves. Nenhum deles tem solução fácil. Exigem inteligência na formulação de propostas, bom senso na costura de apoio político e competência na implementação. A economia tem um problema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros”, continua.

Acusações

Em sua carta, Resende ainda faz uma série de acusações sobre a atual política de juros. Segundo ele, o Banco Central, a imprensa e os analistas do mercado financeiro teriam, cada um, sua parcela de culpa pela manutenção dos juros nos níveis atuais.

"Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater. Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica”, finaliza.

Ministro da Fazenda diz que proposta tem deficiências

Nesta segunda (3), o ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que a ideia de Resende não está em discussão dentro do governo. Segundo ele, a proposta tem várias “deficiências” e que não há agenda prevista entre o economista e o presidente Lula.

“Não há agenda nenhuma fixada com o presidente. Do meu ponto de vista, é uma ideia incipiente que foi colocada para debate público, mas não é uma proposta a ser avaliada ainda. Tem várias deficiências do meu ponto de vista e que eu mesmo, a minha equipe, vamos poder conversar com ele, com outros economistas, como já temos feito. Mas não há nada nesse sentido sobre a mesa, é importante deixar claro”, completou o ministro da Fazenda.