A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta-feira (18) mais uma fase da operação que investiga as fraudes ligadas ao
Banco Master, a Compliance Zero.
🚨 Desta vez, a investigação mira um aliado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o senador Jaques Wagner (PT), que atua como líder do governo no Senado Federal.
A suspeita é de que o senador atuou em favor de projetos de interesse do Banco Master, como a emenda que ampliava o limite de cobertura do
FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um projeto que elevava o limite do crédito consignado.
A PF ainda cita o suposto envolvimento do líder do governo em iniciativas parlamentares voltadas à fiscalização e ao controle da compra do
BRB (BSLI4) pelo Master -operação que foi barrada pelo BC (Banco Central).
A investigação também apura se Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas por essa atuação, como repasses financeiros e um apartamento em Salvador. O pagamento teria sido viabilizado pelo banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Master.
De acordo com a PF, Jaques Wagner e Augusto Lima mantêm uma relação "antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal", que envolvia mensagens, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares.
A PF diz que essa relação teria, em tese, criado um "ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master".
Augusto Lima também é alvo
O banqueiro Augusto Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado na primeira fase da Operação Compliance Zero e voltou à mira da PF nesta quinta-feira (18).
🏦 Augusto Lima era sócio de Daniel Vorcaro no Master e dono do
Banco Pleno, que também foi liquidado pelo BC em meio ao caso Master devido ao comprometimento da situação econômico-financeira.
O banqueiro é próximo de políticos ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores) na Bahia, como Jaques Wagner, e entrou como investidor na privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), em um governo do PT em 2018.
A operação envolveu a rede de supermercados Cesta do Povo e o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos principais ativos do Master.
Os objetivos da PF
🚔 O objetivo desta nova fase da Operação Compliance Zero é apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
Para isso, os policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.
Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
De acordo com a PF, os fatos investigados podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.
Caso Master se alastra no mundo político
Jaques Wagner é o primeiro político ligado diretamente ao governo Lula a se ver envolvido nas investigações sobre o Banco Master.
Porém, as investigações da PF já mostraram que Daniel Vorcaro mantinha contato com diversas autoridades brasileiras, além de nomes de oposição ao governo Lula.
A PF também revelou que Vorcaro pagou diárias de um hotel de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O dono do Master também mantinha conversas com o ministro
Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), além de um contrato milionário com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Além disso, manteve contato com o senador
Flávio Bolsonaro (PL) e participou do financiamento do filme Dark Horse, que promete contar a história de Jair Bolsonaro (PL).
Ainda há denúncias de repasses financeiros milionários para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que nega a alegação.