Itamaraty confirma dois brasileiros vítimas do terremoto na Venezuela

Já são quase 1 mil mortos em decorrência de uma dupla de terremotos registrados na quarta.

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Publicado em 28/06/2026 às 08:35h Publicado em 28/06/2026 às 08:35h por Wesley Santana
Venezuela é um país situado no norte da América do Sul (Imagem: Shutterstock)
Venezuela é um país situado no norte da América do Sul (Imagem: Shutterstock)

Na última quarta-feira (24), a Venezuela foi alvo de uma das piores séries de terremotos já registrados na América do Sul. Foram dois tremores com magnitude de 7,2 e 7,5 na escala Richter, conforme informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos. 

O epicentro foi na cidade de San Felipe, a cerca de 280 quilômetros da capital Caracas. O intervalo entre os dois eventos foi de apenas 39 segundos, ainda de acordo com os geólogos. 

Até o fechamento desta reportagem, o país já contabiliza mais de 3 mil feridos, além de quase 1 mil mortos. Entre as vítimas fatais, estavam dois brasileiros, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. 

"O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas. Em atendimento ao direito à privacidade, o MRE não divulgará informações pessoais dos falecidos", diz o comunicado.

O governo brasileiro também afirmou que vai enviar ajuda humanitária ao país vizinho, composta por agentes da Defesa Civil, bombeiros militares e técnicos da Anatel. 

“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades", escreveu o presidente Lula nas redes sociais. "Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos", completou. 

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Socorristas não dão conta

Uma reportagem da BBC News destacou que os trabalhos para resgates de vítimas do terremoto estão a pleno vapor em Caracas e seus arredores. No entanto, os socorristas não estariam dando conta de retirar todas as pessoas debaixo dos escombros. 

O problema não estaria só no baixo contingente, mas também na falta de maquinário especializado. É importante destacar que a Venezuela vem passando por uma crise econômica e política há cerca de uma década.

"Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes", disse o estudante Antoan Marín à BBC News Brasil. "Eles não têm maquinário especializado, falta ajuda", acrescentou.

A situação é complexa porque diversos edifícios foram abaixo depois do duplo terremoto, fazendo com que milhares de pessoas ainda estejam desaparecidas. Com a ajuda enviada por diversos países, o governo venezuelano pode ampliar os resgates, mas diz que ainda é preciso muita cautela.

"Não podemos simplesmente entrar com máquinas pesadas para reconstruir os prédios que desabaram", explicou o vice-presidente para Assuntos Políticos, Segurança Cidadã e Paz, Diosdado Cabello. "Precisamos verificar se há pessoas vivas, determinar como proceder e como trabalhar”. 

Por que um terremoto na Venezuela?

Vizinho do Brasil, a Venezuela tem uma das localizações mais privilegiadas do mundo, dada os recursos naturais. No entanto, o país está abaixo da placa tectônica do Caribe, classificada pelos estudiosos como pequena e problemática. 

Os geólogos dizem que, em razão do seu tamanho, essa formação geológica é pressionada por outras vizinhas, ampliando as possibilidades de sismos. Eles dizem que fenômenos como esse são relativamente raros no país, mas são esperados pois acumulam tensões ao longo de décadass.

"Os tremores ocorridos na Venezuela provavelmente têm causas devido à movimentação e ao choque entre as placas tectônicas sul-americana e caribenha", afirmou o geofísico e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Raphael Di Carlo. ao G1. É possível que nós tenhamos sentido em Manaus porque as ondas carregam energia fruto do choque entre as placas tectônicas”, continuou.