Gigante dos móveis recebe ultimato da B3 e pode deixar a bolsa; entenda
Empresa tem até junho para encontrar solução para preço das ações que está abaixo de R$ 1.
O que já era esperado por parte do mercado se confirmou na manhã desta terça-feira (12). O Grupo Toky (TOKY3), controlador de marcas como Tok&Stok e Mobly, entrou com um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo.
No comunicado divulgado ao mercado, a empresa destacou que o ambiente macroeconômico segue desafiador, especialmente para o setor de varejo de móveis. A taxa de juros estaria impactando o endividamento das famílias, que, consequentemente, diminuíram as compras consideradas menos essenciais.
“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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Diante desse cenário, a empresa -que já não vive um bom momento na B3- decidiu que era o momento adequado para pedir proteção judicial contra suas dívidas.
“[A medida] exige a adoção urgente de medidas adicionais destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”, destacou a companhia.
Ainda de acordo com o documento, a recuperação judicial tem como objetivo “resguardar a companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações”.
Mas os problemas da Toky não começaram agora. Em 2024, a empresa entrou com um pedido de recuperação extrajudicial. Na ocasião, a companhia informou uma dívida acumulada de R$ 641 milhões.
A lista de credores não era extensa, mas os valores chamavam atenção para o porte da operação. Bradesco, Santander, Domus Tecnologia e FS Investments estavam entre os credores citados nos comunicados da época.
Na bolsa, a empresa integra o grupo das chamadas penny stocks, companhias cujas ações são negociadas abaixo de R$ 1. Nesta terça, os papéis eram negociados a R$ 0,24, com queda de 17%, levando o valor de mercado para apenas R$ 54 milhões, conforme dados da B3.
Empresa tem até junho para encontrar solução para preço das ações que está abaixo de R$ 1.
Com a conclusão do aumento de capital, a Toky terá o direito de determinar a conversão das debêntures da 1ª série.