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Ibovespa (IBOV) pode triplicar e alcançar os 300 mil pontos, mas esse caminho passa obrigatoriamente pelo resultado das eleições presidenciais de 2026. A tese é de Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, que defendeu o cenário nesta terça-feira (14) durante coletiva de imprensa.
Para o gestor, a projeção nunca foi um cenário-base, mas uma possibilidade concreta atrelada a uma condição específica: a eleição de um governo comprometido com a responsabilidade fiscal.
"Se a gente eleger um candidato fiscalmente responsável, o cenário de Bolsa aos 300 mil pontos continua atual", afirmou.
O movimento, porém, não seria imediato. Na avaliação de Freitas, o processo levaria entre 12 e 18 meses e também dependeria de um ambiente internacional favorável para se concretizar.
2º semestre deve ser dominado pelo debate fiscal e eleitoral
O ASA avalia que o centro de gravidade dos mercados brasileiros está em processo de migração. Se o cenário internacional foi o principal direcionador dos ativos desde 2025 e ao longo do primeiro semestre deste ano, o segundo semestre deve ser progressivamente tomado pelas discussões fiscais e eleitorais.
"O brasileiro vai discutir qual Estado quer para os próximos quatro anos: um Estado maior, com aumento da carga tributária e maior participação do setor público, ou um crescimento menor do Estado", disse Freitas.
O gestor também explicou por que a economia brasileira continua crescendo mesmo com a
Selic em patamares elevados. Na sua avaliação, o volume expressivo de gastos públicos reduz a eficácia da política monetária, forçando o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo do que seria necessário em um ambiente fiscal mais equilibrado.
Dívida pública pode chegar a 100% do PIB em quatro anos
Freitas chamou atenção para a trajetória da dívida pública como um dos principais riscos estruturais da economia brasileira.
Segundo ele, a dívida bruta está próxima de 83,5% do
PIB e, mantidas as condições atuais, pode alcançar cerca de 100% do PIB em quatro anos, patamar que considera insustentável para o equilíbrio econômico do país.
Candidato fiscal responsável beneficia Bolsa e real
Sem declarar preferência por candidatos ou partidos, Freitas foi direto ao avaliar como os mercados tendem a reagir a cada desfecho eleitoral. Um candidato percebido como fiscalmente responsável deve favorecer a valorização da Bolsa, o fechamento da curva de juros, a apreciação do real e o desempenho geral dos ativos de risco.
O cenário oposto, com um vencedor visto como menos comprometido com o equilíbrio das contas públicas, deve beneficiar o dólar enquanto os demais ativos brasileiros perdem valor.
O gestor também avaliou que a disputa presidencial deve permanecer em aberto até as últimas semanas de campanha.
📊 Segundo ele, cerca de 3% do eleitorado, os chamados swing voters, serão decisivos para o resultado e tendem a tomar sua decisão apenas próximo ao dia do pleito.