FII despenca 10% com Casas Bahia em RJ; Allos (ALOS3) tem 19 lojas na mira

Analistas destacam como principal risco a dependência do Grupo Casas Bahia, que é responsável por cerca de 31% das receitas do fundo.

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Publicado em 18/08/2026 às 15:47h Publicado em 18/08/2026 às 15:47h por Matheus Silva
Nesta terça-feira (18), as perdas chegaram perto de 10% (Imagem: Shutterstock)
Nesta terça-feira (18), as perdas chegaram perto de 10% (Imagem: Shutterstock)
 🚨 A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) criou ondas além dos credores e fornecedores da varejista. 
No mercado de fundos imobiliários, investidores correram para avaliar a exposição de FIIs à rede, com impactos distintos entre os segmentos logístico e de shopping centers.
O caso mais emblemático é o do HSI Logística (HSLG11). Segundo relatório da Empiricus Research assinado pelos analistas Caio Araujo e João Henrique Gambier, a Casas Bahia responde por cerca de 30,9% da receita contratada do fundo, tornando-a o principal locatário e o maior risco de crédito da carteira. 
Na segunda-feira (17), após o anúncio da recuperação judicial, o FII chegou a recuar mais de 5%. No pregão desta terça-feira (18), a queda ampliou para quase 10%.
Operacionalmente, o fundo segue sem problemas, com a vacância física zerada, inadimplência líquida de 0% e distribuição mensal de R$ 0,75 por cota. Mesmo assim, a concentração em um único locatário em crise levou a Empiricus a adotar postura conservadora.
"O principal ponto de atenção está na concentração de receita no Grupo Casas Bahia, responsável por aproximadamente 31% da receita do FII", destacam os analistas. 
"Apesar de enxergarmos o fundo como descontado, a elevada exposição da receita ao Grupo Casas Bahia reduz a atratividade da tese neste momento", concluem.
Do lado positivo, os imóveis ocupados pela varejista ficam próximos a grandes centros consumidores e em regiões com demanda logística consolidada, o que pode facilitar a recolocação dos espaços caso haja saída da locatária. 
A própria gestão do fundo trabalha para reduzir a concentração através de novas sublocações em imóveis em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR) poderiam diminuir a participação da Casas Bahia na receita de cerca de 31% para próximo de 19%.

Allos tem 19 lojas, mas Citi vê risco marginal para o setor

Nos shopping centers, o panorama é diferente. O Citi avaliou a exposição das empresas listadas do setor e concluiu que o impacto deve ser pequeno para a maioria. 
Com base em dados proprietários sobre locatários, o banco identificou lojas da Casas Bahia em 19 shoppings da Allos (ALOS3), tornando a companhia a mais exposta entre as administradoras cobertas.
Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3) aparecem com apenas uma unidade da varejista cada: no Shopping Esplanada e no ParkJacarepaguá, respectivamente.
📊 "Embora a Allos tenha uma exposição um pouco maior devido à sua ampla presença regional, vemos risco desprezível para Iguatemi e Multiplan. Portanto, a recuperação judicial da Casas Bahia deve ter apenas um impacto marginal nos níveis de ocupação e na receita de aluguel do setor", avaliou o banco.