Empresa dos EUA compra maior mineradora de terras raras do Brasil e dispara na Bolsa

A USA Rare Earth fechou um acordo de US$ 2,8 bilhões para comprar a Serra Verde.

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Publicado em 20/04/2026 às 13:52h Publicado em 20/04/2026 às 13:52h por Marina Barbosa
Terras raras são essenciais para a produção de itens como imãs e chips (Imagem: Shutterstock)
Terras raras são essenciais para a produção de itens como imãs e chips (Imagem: Shutterstock)
A USA Rare Earth (USAR), companhia americana listada na Nasdad, anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição da maior mineradora de terras raras do Brasil, a Serra Verde.
💵 O negócio está avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões. Isto é, quase R$ 14 bilhões, de acordo com a atual cotação do dólar.
O pagamento será realizado com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,8 milhões de novas ações ordinárias da USA Rare Earth, que disparou na Bolsa após anunciar o acordo, nesta segunda-feira (20). Às 12h45, o papel subia 9,37% e era negociado por US$ 21,82.

Líder global

O negócio visa a criação de uma empresa líder no mercado de terras raras -um setor essencial para a transição energética e tecnológica.
⚒️ As terras raras são usadas na produção de itens como turbinas eólicas, motores elétricos, imãs e chips. Por isso, os Estados Unidos vêm tentando reduzir a dependência da China, que domina esse mercado.
O Brasil aparece como um player estratégico nessa disputa, pois ostenta a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.
Além disso, a Serra Verde apresenta-se como a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas e de terras raras leves fora da Ásia. 
A companhia brasileira é dona da mina de Pela Ema, que está situada no estado de Goiás e deve produzir 6.400 toneladas de óxido de terras raras por ano até ao fim de 2027.
Com isso, a empresa deve passar a responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China e, assim, gerar um Ebitda de até US$ 650 milhões por ano até o final de 2027.
Já a companhia resultante da parceria entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve gerar um Ebitda de US$ 1,8 bilhão em 2030, segundo as projeções da empresa americana.

Da mina ao imã

Com esse negócio, as empresas buscam unir a produção brasileira com a capacidade de processamento e fabricação americana, para criar a primeira cadeia integrada de terras raras fora da Ásia, "da mina ao ímã".
O plano já vem sendo traçado há algum tempo pela USA Rare Earth, que, por isso, já havia feito outras aquisições e parcerias nos últimos meses.
A companhia americana comprou a britânica Less Common Metals, principal fabricante de metais e ligas de terras raras fora da China, em novembro de 2025, por exemplo.
Já em janeiro de 2026, tornou-se a operadora exclusiva do projeto Round Top, a maior reserva de terras raras dos Estados Unidos.
"Estamos entusiasmados em unir forças com a USAR para criar uma empresa maior e mais diversificada, abrangendo a cadeia de suprimentos de terras raras no Brasil, EUA e os seus Aliados", afirmou o CEO do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis.

Mais investimentos no Brasil

Segundo a Serra Verde, o negócio permitirá investimentos sustentados e o crescimento da operação brasileira, favorecendo a economia e a geração de empregos no país.
O plano de expansão ainda ganhou força por meio de um acordo que garante à companhia brasileira a venda de terras raras magnéticas a preços mínimos garantidos para uma empresa de propósito específico americana por um prazo de 15 anos. 
Segundo Moraitis, o acordo reduz o risco para o desenvolvimento futuro da operação, ao fornecer fluxos de caixa seguros e previsíveis.
A empresa ressaltou ainda que as suas operações devem continuar sob o comando da atual gestão. O CEO do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, deve assumir o comando e entrar no Conselho de Administração da empresa combinada com a USA Rare Earth. Já o presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi, continuará liderando as operações no Brasil.