🚨 O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista ao jornal americano The Washington Post, publicada neste domingo (17), na qual revelou sua estratégia de aproximação com o presidente dos EUA, Donald Trump, apesar das divergências ideológicas entre os dois.
A conversa ocorreu após a visita de Lula à Casa Branca no dia 07 de maio, quando os dois líderes se reuniram em meio a um processo de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o presidente brasileiro, as diferenças políticas não devem interferir na relação institucional entre os países.
Lula afirmou ao Post que quer garantir respeito à soberania brasileira, evitar novas tarifas e sanções e ampliar os investimentos americanos no Brasil. "Se eu consegui fazer o Trump rir, consigo outras coisas também. Você não pode simplesmente desistir", disse.
Lula diz que Trump já sabe que ele é "melhor" que Bolsonaro
Em um dos trechos mais diretos da entrevista, Lula comentou sobre sua relação com Trump sem citar abertamente o ex-presidente Jair Bolsonaro como rival na disputa pela preferência americana.
"Não preciso fazer esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", afirmou ao Washington Post. O contexto da declaração é a normalização diplomática após um período de tensão entre Brasília e Washington.
No ano passado, Trump havia anunciado tarifas sobre exportações brasileiras e sanções contra autoridades do país em meio às investigações envolvendo Bolsonaro. Lula classificou as medidas à época como uma afronta à soberania nacional.
Segundo o Post, Lula afirmou não pretender interferir na relação entre Trump e Bolsonaro, mas deixou claro que busca se posicionar como interlocutor mais confiável junto à administração americana.
Brasil quer os EUA "na frente da fila", mas diz que falta interesse
A relação econômica entre Brasil, EUA e China também foi tema da entrevista. Lula afirmou ao Post que o comércio brasileiro com a China hoje é duas vezes maior do que com os EUA e que esse resultado não reflete uma preferência do Brasil, mas a ausência de interesse norte-americano no país.
"Se os Estados Unidos quiserem voltar para a frente da fila, ótimo. Mas precisam querer isso", declarou.
O presidente também apresentou sua visão sobre o papel das democracias no cenário global. Segundo ele, regimes democráticos precisam entregar resultados concretos para evitar o fortalecimento de "qualquer idiota que fale contra o sistema democrático", em uma referência ao avanço de lideranças populistas ao redor do mundo.
Venezuela, Cuba, Irã e multilateralismo entram na conversa
Lula comentou ao Washington Post uma série de temas internacionais. Sobre a Venezuela, afirmou ter aconselhado Nicolás Maduro a realizar eleições com monitoramento internacional, mas disse que o líder venezuelano aprofundou as suspeitas sobre o processo eleitoral ao ignorar a recomendação. Sobre Cuba, pediu que Trump suspenda o embargo econômico contra o país.
Em relação ao Irã, Lula criticou o que chamou de postura excessivamente confrontacional dos EUA em conflitos internacionais.
Segundo o presidente, o Brasil continuará defendendo o diálogo diplomático e tentando atuar como mediador em disputas internacionais, apesar das dificuldades enfrentadas em negociações recentes sobre Venezuela e Ucrânia.
Washington Post enquadra 2026 como provável última disputa presidencial de Lula
O veículo americano também contextualizou o cenário eleitoral brasileiro, tratando a eleição de 2026 como a provável última disputa presidencial de Lula.
Segundo o Post, o petista tentará um quarto mandato em uma corrida apertada contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
📊 O jornal destacou que Lula busca se apresentar como um líder capaz de dialogar com a direita global sem abrir mão de suas posições políticas.