Dólar futuro vai a R$ 5,56 e ações brasileiras caem até 28% no exterior após 2º turno

Reação dos investidores reflete a surpresa com o resultado eleitoral e a revisão das expectativas para os ativos brasileiros.

Author
Publicado em 26/10/2026 às 08:41h - Atualizado em 26/10/2026 às 09:25h Publicado em 26/10/2026 às 08:41h Atualizado em 26/10/2026 às 09:25h por Wesley Santana
Dólar futuro opera com forte alta repercutindo a vitória de Lula nas eleições (Imagem: Shutterstock)
Dólar futuro opera com forte alta repercutindo a vitória de Lula nas eleições (Imagem: Shutterstock)

Antes da abertura oficial do mercado, os investidores estrangeiros já calibravam suas apostas para os ativos brasileiros. Com isso, um dos principais movimentos era visto no dólar futuro, que disparava no mercado internacional, e nas ações brasileiras, que caíam no exterior.

Por volta das 07h, a moeda norte-americana subia quase 10% frente à divisa brasileira, cotada em R$ 5,56. O mesmo acontecia com o euro, que apontava para valorização nas próximas horas. 

Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app

Para os analistas, a reação mostra que o resultado é bem diferente do que previam os agentes do mercado. Com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, a tendência era de que o senador mantivesse a liderança também na segunda rodada.

"O mercado não estava posicionado para este desfecho. Diferentemente dos cenários de vitória de Bolsonaro — nos quais quanto maior a vantagem, melhor andariam os ativos —, devemos passar por um ajuste severo de preços na abertura. Esperamos forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal”, avalia Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, em entrevista ao InfoMoney.

Leia mais: Ibovespa deve cair 20% e dólar ir a R$ 5,50 nos próximos dias, diz JPMorgan

Ações despencam no exterior

Já no mercado acionário, o movimento de baixa era visto nas ações de empresas brasileiras negociadas no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, os principais ADRs operavam no campo negativo, conforme dados das bolsas locais.

Quem mais sentia o peso era o Bradesco (BBDC4), que despencava 28%. O Itaú (ITUB4) registrava baixa de 27%, enquanto a Petrobras (PETR4) recuava 25%, ainda de acordo com as bolsas.

De maneira mais ampla, o ETF MSCI Brazil, que reúne as principais empresas do Brasil, recuava 26% no fechamento desta reportagem.

“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal. Essa expectativa se traduziu na melhora da Bolsa, principalmente após o resultado do primeiro turno”, avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.