Não é de hoje que os Correios andam mal das perdas, mas nesta quinta-feira (23) o mercado tomou ciência do prejuízo de R$ 8,5 bilhões apurado pela estatal durante o ano de 2025, bastante impactado pelo pagamento de precatórios (dívidas que já passaram pelo rito da Justiça).
Somente tais despesas judiciais tiveram impacto de R$ 6,4 bilhões no balanço da empresa, piora de -55%. A companhia já vinha prejudicada pelo recuo de -11,35% em sua receita líquida na comparação anual, totalizando R$ 17,3 bilhões.
Nem mesmo para a gestão atual dos Correios o empréstimo de R$ 12 bilhões, recentemente levantado junto a instituições financeiras, incluindo o
Banco do Brasil (BBAS3), sob garantia do Tesouro Nacional, deve surtir efeito positivo no curto prazo.
"Os números ainda vão demorar um pouco a melhorar", disse o CEO dos Correios, Emmanoel Rondon, durante coletiva de imprensa. Na ocasião, foram apresentados os resultados dos 100 dias do plano de reestruturação da estatal.
Entre as principais medidas para estancar a sangria dos Correios, a gestão implementou o Plano de Demissão Voluntária (PDV), visando diminuir gastos com pessoal e equilibrar as contas da companhia.
A própria estatal dá conta de que mais de 3 mil funcionários aderiram ao programa, o que gerou uma expectativa de redução de gastos de cerca de 40%. Somando os funcionários que aderiram ao mecanismo desde 2024, cerca de 3.756 empregados foram desligados, implicando em economia financeira de R$ 775,7 milhões em 2026.
"Como vocês podem ver, o PDV que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários", afirmou Rondon.