Copa do Mundo fez brasileiros bloquearem bets em ritmo 7 vezes maior; entenda

O boom de anúncios em torneios fez milhares de brasileiros banirem as próprias contas em bets, acendendo o alerta no setor.

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Publicado em 27/07/2026 às 16:27h Publicado em 27/07/2026 às 16:27h por Matheus Silva
O salto coincidiu com o ápice da audiência na Copa do Mundo (Imagem: Shutterstock)
O salto coincidiu com o ápice da audiência na Copa do Mundo (Imagem: Shutterstock)
Os pedidos de autoexclusão de sites de apostas online deram um salto de sete vezes nas duas primeiras semanas da Copa do Mundo, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. 
O avanço do torneio e o volume massivo de anúncios fizeram milhares de brasileiros bloquearem a própria conta em bets, gerando preocupações no setor sobre a retenção de usuários e sinalizando mudanças na relação do consumidor com as apostas online.
A Plataforma Centralizada de Autoexclusão registrou forte aceleração na demanda entre 15 e 28 de junho. 
No período, a média diária de pedidos chegou a 17.866, ante 2.594 solicitações diárias na primeira quinzena de maio, uma alta de 700%. 
O crescimento coincidiu com a fase de maior audiência da Copa do Mundo, quando as transmissões concentraram um volume massivo de ações de marketing das casas de apostas.
A ferramenta pública permite que o próprio usuário insira voluntariamente seu CPF em uma base integrada, impedindo o acesso, novas apostas e movimentações em todas as empresas autorizadas pelo governo federal a operar no mercado de bets. 
Para aderir, o usuário precisa informar seus dados pessoais e optar por um bloqueio por prazo indeterminado ou por um período entre um e 12 meses.

Motivação mudou durante a Copa

Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a procura aquecida pelo bloqueio indica que parte dos apostadores recorreu ao mecanismo como uma barreira estratégica contra perdas financeiras, episódios de descontrole e superendividamento. 
Em maio, a principal razão para aderir à autoexclusão era a perda de controle sobre o jogo, apontada por 43% dos usuários.
Nas duas primeiras semanas do Mundial, porém, o cenário mudou. A prevenção do uso dos dados em plataformas de apostas passou a liderar os motivos para o cadastro, citada por 29,5% dos solicitantes. A perda de controle ficou em segundo lugar, com 24,13%.

Plataforma ultrapassa 1 milhão de adesões ativas

A plataforma nacional de autoexclusão já ultrapassou a marca de 1 milhão de adesões ativas. A medida é válida exclusivamente para as operadoras regulamentadas, é totalmente voluntária e pode ser acionada tanto por quem busca uma pausa temporária quanto por quem deseja parar definitivamente de apostar. 
Vale lembrar que a autoexclusão das bets é um dos critérios para a adesão ao programa Novo Desenrola Brasil.

Fazenda endurece regras de publicidade

O avanço expressivo das autoexclusões aconteceu em paralelo ao endurecimento das regras sobre a publicidade das bets no Brasil. 
Órgãos federais passaram a restringir campanhas consideradas abusivas, vetando promessas de lucros garantidos, frases enganosas e conteúdos direcionados a públicos vulneráveis.
No último mês, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) abriu investigação sobre possíveis práticas de publicidade enganosa ou abusiva em transmissões da CazéTV durante o torneio, avaliando se ações promocionais, divulgação de odds e associações entre apostas e emoção esportiva respeitam regras de transparência, jogo responsável e proteção ao consumidor.
O Congresso Nacional também avança na discussão de novas limitações para a participação de influenciadores digitais, atletas e celebridades no setor. 
📊 O Ministério da Fazenda projeta que instrumentos de proteção individual, como a autoexclusão, ganhem ainda mais relevância nos próximos meses.