O mercado de capitais brasileiro ganhou um novo xerife nesta quarta-feira (20), já que a maioria no Senado Federal aprovou a nomeação de Otto Lobo, o escolhido pelo presidente Lula, para comandar a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Embora a votação tenha sido convocada às carreiras, com um placar final de 31 votos a favor e 13 contrários no plenário do Senado, resta ao investidor pessoa física entender se a nomeação de Otto Lobo para um mandato tampão até julho de 2027 tende a melhorar o ambiente aos acionistas minoritários.
Olhando em retrospecto, o próprio Otto Lobo já vinha atuando como presidente interino da CVM e foi responsável, entre outros episódios, por decisões polêmicas envolvendo a
Ambipar (AMBP3), empresa de soluções ambientais que presenciou valorização exponencial atípica no curto prazo, seguida de período marcado por
dilapidação de patrimônio.
Em sua defesa, Otto Lobo disse aos senadores na sabatina que houve uma “incompreensão muito grande no caso da
AMBP3, que a decisão do colegiado da CVM para rejeitar a
OPA foi unânime e que, até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa
OPA”.
Apesar de a gestão agora efetiva de Otto Lobo na CVM focar em maior previsibilidade regulatória, defender os acionistas minoritários em bolsa de valores e reestruturar financeiramente o quadro de funcionários da CVM, terá de lidar com os possíveis alçapões deixados pelos escândalos do
Banco Master, além dos desafios de conectar o mercado tradicional de investimentos com os ativos digitais, a chamada tokenização.
Os senadores também aprovaram a indicação de Igor Muniz para a diretoria da CVM. Escolhido a dedo por Lula, o novo diretor na autarquia teve 39 votos favoráveis e 9 contrários. Seu desafio envolve justamente regular novos produtos financeiros que estão caindo no gosto popular dos investidores, como:
Fiagros,
FIDCs, Crowdfunding e as próprias
criptomoedas.