Banco Imobiliário, Autorama, Susi e mais: O que está em jogo na RJ da Estrela (ESTR3)

Ações da companhia desabaram após pedido de RJ ser protocolado; veja histórico.

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Publicado em 20/05/2026 às 13:23h Publicado em 20/05/2026 às 13:23h por Wesley Santana
Estrela é uma fabricante de jogos e bonecos com uma história quase centenária no Brasil (Imagem: Divulgação)
Estrela é uma fabricante de jogos e bonecos com uma história quase centenária no Brasil (Imagem: Divulgação)

Uma das empresas mais tradicionais do país, a Estrela (ESTR3) informou na manhã desta quarta-feira (20) que está entrando em recuperação judicial. A empresa alega que soma dívidas milionárias e tem necessidade de reestruturar os passivos do grupo.

Para além das questões corporativas, a Estrela faz parte do imaginário brasileiro, por meio de jogos, bonecos e outros itens de entretenimento. A companhia é responsável, por exemplo, pelo Banco Imobiliário, Autorama e o Jogo da Vida, três produtos que se popularizaram nas últimas décadas.

Ela foi responsável por fabricar e vender a linha Barbie no país ao longo de quase três décadas. Depois de terminar o contrato, decidiu lançar sua própria versão, a Susi, que custava mais barato, mas deixou de ser vendida há mais de dez anos.

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No total, a empresa tem quase 100 anos de fundação e vinha se adaptando às mudanças geracionais com novas opções de produtos. Para isso, passou a licenciar produtos que faziam sucesso fora do Brasil, trazendo sempre novas produções aos consumidores brasileiros.

Agora, a fabricante tem o desafio de colocar as dívidas em dia, na tentativa de continuar alegrando crianças, jovens e também adultos no Brasil. Um dos principais entraves, no entanto, seria a alta taxa de juros e problemas de gestão que levaram a marca à situação atual.

A recuperação judicial da Estrela vem na esteira de outras dezenas de empresas de grande porte que resolveram seguir por este caminho nos últimos meses. “A Recuperação Judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento“, informa o comunicado da Estrela.

Listada na B3, a empresa viu seus papéis caírem mais de 30% depois do anúncio da RJ. Por volta das 13h, os papéis operavam na faixa de R$ 3, conforme dados da bolsa.

O movimento é curioso, pois retoma as negociações da companhia, que há mais de um mês não vinha registrando movimentos em seu ticker. Essa é uma daquelas companhias que quase não têm liquidez no mercado, dada a baixa procura por parte dos investidores.

“Nos termos da legislação aplicável, a companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, o qual será submetido à aprovação dos credores. A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, conclui nota da Estrela.