CEO da Nvidia vai na contramão do setor e defende avanço acelerado da IA

Jensen Huang disse a Donald Trump que não vai permitir que o setor desacelere.

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Publicado em 19/09/2026 às 19:39h Publicado em 19/09/2026 às 19:39h por Marina Barbosa
Jensen Huang descartou o apelo de desaceleração de outros líderes da IA, mas não foi o único (Imagem: Shutterstock)
Jensen Huang descartou o apelo de desaceleração de outros líderes da IA, mas não foi o único (Imagem: Shutterstock)
O CEO da Nvidia (NVDC34), Jensen Huang, mostrou-se contra a ideia de moderar o ritmo de desenvolvimento da IA (Inteligência Artificial).
A desaceleração foi defendida nos últimos dias pelos chefes de outras grandes empresas do setor, como Anthropic, OpenAI, xAI e Google (GOGL34), devido aos riscos ligados à IA.
🗣️ Porém, Jensen Huang descartou a ideia de que a tecnologia vai acabar com o mundo, pelo menos até 2030. Ele defendeu, então, a manutenção de um projeto de desenvolvimento acelerado da IA.
"Devemos ir o mais rápido possível", afirmou o CEO da Nvidia, em entrevista à "CBS News".
Ele também afirmou, contudo, que a indústria não deve lançar produtos que não sejam seguros ou que ainda não estejam concluídos.
"Ninguém espera que façamos isso. Mas todos esperam que tenhamos sucesso e ajudemos os Estados Unidos a serem o mais prósperos possível", afirmou Huang.

Trump promete nomear "czar da IA"

📞 O CEO da Nvidia foi procurado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o risco de desaceleração da IA no início dessa semana, mas garantiu ao republicano que não deixaria isso acontecer.
Trump tem criticado os pedidos de desaceleração da IA, dizendo que os alertas do setor são uma "farsa" e uma "conspiração" para favorecer a China.
"De forma alguma iremos impedir ou sufocar o crescimento desta incrível indústria", reforçou Trump, neste sábado (19).
Para garantir que os Estados Unidos saiam à frente da China neste setor, Trump ainda prometeu neste sábado (19) nomear um "czar da IA".
Segundo ele, o escolhido para o cargo deve ter um "QI elevado" e comandar uma força-tarefa dedicada ao desenvolvimento da IA.
Nas redes sociais, Trump ainda prometeu ficar atento e punir eventuais desvios de conduta ligados à tecnologia.

O risco de desaceleração da IA

📉 A possível desaceleração do risco de desenvolvimento da IA veio à tona na semana passada e pressionou as ações do setor nos últimos dias.
Tudo começou depois que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo pedindo que as empresas do setor moderassem o ritmo de criação de novos modelos de IA, para terem tempo de lidar com os riscos desses projetos.
Antes disso, um pesquisador da empresa já havia pedido demissão e publicado um manifesto na internet alertando para os riscos da IA.
Segundo ele, os desenvolvedores da tecnologia acreditam que "ela pode matar todos nós até o final da década". 
Dona do Claude, a Anthropic descobriu recentemente que a sua tecnologia havia sido utilizada para desenvolver armas e monitorar opositores em determinados países.
Já a OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou seis episódios em que seus modelos de IA saíram do controle e agiram por conta própria para ocultar erros, inventar dados e publicar documentos, por exemplo.
Apesar disso, alguns agentes de mercado apontam outra explicação para o possível apelo de desaceleração da IA: o fato de que a medida também ajudaria a conter os elevados investimentos no setor, melhorando as contas das empresas.

Quem apoia o pedido 

Diante dos riscos, diversos nomes do setor endossaram o pedido de desaceleração de Dario Amodei. Entre eles, o CEO da OpenAI, Sam Altman; o dono do X, Elon Musk; e o presidente do conselho do Google DeepMind, Demis Hassabis.
A Microsoft (MSFT34) foi um pouco mais além e apresentou um código de conduta para manter a sua IA sob controle humano.
"Se a IA que construímos não estiver ajudando a humanidade e sob controle humano, não vale a pena persegui-la", explicou o CEO da Microsoft, Satya Nadella.
Porém, o CEO da Nvidia não é a única voz dissonante nesta história. O criador do Facebook e CEO da Meta (M1TA34), Mark Zuckerberg, também descartou a ideia de desacelerar o progresso da IA.
Segundo ele, as empresas do setor já têm "a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos de forma segura", já que o lançamento de modelos desalinhados não seria bem recebido pelo mercado e ainda poderia levar a processos na Justiça.
Neste caso, no entanto, a discussão judicial parece ter ido no sentido contrário: consumidores de IA entraram com uma ação contra Anthropic, OpenAI, Google e SpaceXAI nos Estados Unidos, acusando as empresas de terem feito um acordo ilegal para frear o avanço da tecnologia.