⚠️ O resultado superou as estimativas do mercado. Porém, não foi suficiente para aplacar a cautela dos analistas. Tanto que as ações do BB operam em queda na B3 nesta quinta-feira (13), abaixo da marca dos R$ 19.
O motivo para o alerta está nos indicadores de qualidade de crédito do banco, que voltaram a piorar e só devem se recuperar em 2027, pelas projeções do próprio BB.
De acordo com o balanço do BB, a taxa de inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,61% em junho, ficando bem acima dos 3,96% observados um ano antes e dos 5,05% observados no trimestre anterior.
Já a inadimplência curta, de 30 dias, saltou de aproximadamente 6,5% para 7,66%, indicando que novos calotes ainda podem vir. Porém, o índice de cobertura caiu para 148,5%.
O indicador mede o quanto da carteira de crédito em atraso é coberto pelas provisões do banco e chegou a 183,2% um ano atrás. No trimestre anterior, ainda estava em 158,4%.
Confira os resultados do BB no 2T26.O que diz o BB?
🏦 Ao apresentar os resultados, a diretoria do Banco do Brasil admitiu que a inadimplência segue em patamares elevados, pressionada sobretudo pelo
agronegócio e pela pessoa física.
"Nós já vínhamos alertando sobre o comprometimento da renda e o peso da
Selic alta, especialmente para o público que tem menor resiliência financeira", comentou a CEO do BB, Tarciana Medeiros.
Ela garantiu, por sua vez, que a instituição está agindo para atacar esse problema, com a melhora dos sistemas de análise, garantia e cobrança, além do foco em linhas de menor risco e do avanço das renegociações.
O BB renegociou R$ 31 bilhões em créditos no segundo trimestre de 2026, sendo R$ 12,1 bilhões apenas no
Novo Desenrola.
Agora, a expectativa é ampliar as renegociações de créditos rurais, por meio da MP (Medida Provisória) 1376/26, voltada a produtores rurais que tiveram perdas em decorrência de eventos climáticos severos ou pela queda nos preços de comercialização das commodities.
Foco na MP
💲 Ao todo, o BB espera renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas mantidas por 113 mil clientes por meio da MP, sendo R$ 36,7 bilhões de operações que já estão inadimplentes e R$ 63,5 bilhões de operações que estão em dia, mas foram prorrogadas ou renegociadas.
"Com essa atuação, nossa expectativa é retomar nos próximos meses patamares de pontualização na casa dos 90%, apoiando inclusive a convergência do custo de crédito para o intervalo do guidance", contou a CEO.
O BB também projeta uma "melhora relevante" das despesas com provisões a partir desse movimento, segundo o vice-presidente de Riscos do BB, Felipe Prince.
Para evitar novas altas da inadimplência rural, o BB também reforçou o sistema de garantias. Tanto que 70% das transações efetuadas no novo
Plano Safra já contam com alienação fiduciária.
No caso do segmento pessoa física, a expectativa é trazer a inadimplência de volta aos patamares anteriores em 2027, com ajuda da queda dos juros e da expansão do crédito consignado, segundo o CFO, Geovanne Tobias.
"É uma questão de tempo para a inadimplência ser diluída ao longo do tempo", afirmou Tobias, dizendo que o cenário do banco prevê um crescimento de 1% da economia brasileira em 2027.