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Americanas (AMER3) informou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que desconhece como foi calculado o suposto montante de R$ 54 bilhões citado em uma investigação da Polícia Federal sobre a fraude contábil da varejista.
Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que não é investigada no inquérito, não tem acesso aos autos, que seguem sob sigilo, e, por isso, não sabe quais critérios teriam sido utilizados para chegar ao valor.
"A Americanas não é investigada e não tem acesso ao referido inquérito. Dessa forma, não se sabe como o suposto montante teria sido alcançado, quais critérios teriam sido eventualmente adotados, nem a qual escopo se refere", diz parte do comunicado.
O esclarecimento foi enviado após a CVM questionar a companhia sobre reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, que mencionava a existência de uma discrepância entre os R$ 54 bilhões apontados pela Polícia Federal e os cerca de R$ 25 bilhões em fraudes contábeis anteriormente reconhecidos pela própria empresa.
Segundo a Americanas, o suposto valor de R$ 54 bilhões teria sido apurado em um inquérito da Polícia Federal cujos autos permanecem sob sigilo. A companhia destacou que não tem conhecimento sobre a metodologia utilizada ou os critérios eventualmente adotados para chegar a esse montante.
A varejista reiterou que os R$ 25,3 bilhões referentes aos lançamentos indevidos e às fraudes contábeis já foram divulgados ao mercado em demonstrações financeiras auditadas por auditor independente e, segundo a empresa, estão adequadamente refletidos em seus balanços.
"A companhia entende que os valores relativos aos lançamentos indevidos e às fraudes contábeis detectadas, no montante de R$ 25,3 bilhões, foram previamente divulgados ao mercado em suas demonstrações financeiras auditadas por auditor independente, estando adequadamente refletidos", disse a companhia.
Caso Americanas
O tema voltou ao centro das atenções, após a Polícia Federal deflagrar uma nova fase das investigações sobre o caso Americanas. A operação teve como alvo acionistas de referência, ex-conselheiros, ex-diretores e credores da companhia, incluindo empresários ligados ao grupo de controle, entre eles Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.
As medidas envolveram mandados de busca e apreensão e pedidos de bloqueio de bens com base no valor estimado da suposta fraude, de R$ 54 bilhões. A diferença entre o montante citado pela PF e os valores reconhecidos pela companhia levantou questionamentos sobre a origem da divergência e seus possíveis impactos para o processo de recuperação judicial.