A Bolsa brasileira bateu novos recordes nesta segunda-feira (5), com o mercado reagindo ao resultado das eleições. Porém, algumas gigantes da B3 não conseguiram surfar nessa onda de euforia.
De acordo com especialistas, o motivo para o baque está no câmbio, já que boa parte da receita dessas empresas vem do exterior e o
dólar afundou após os resultados das urnas, voltando a ser negociado abaixo de R$ 5.
O head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier, explicou que a queda do dólar pode achatar as receitas dessas companhias e ainda levou muitos investidores a abrir mão destas posições para buscar outras que tendam a se beneficiar melhor do ciclo político e econômico que está sendo desenhado, como os
bancos.
"Com a moeda americana caindo mais de 4% em relação ao real, é inevitável que isto impacte no valor de mercado percebido destas empresas", afirmou Xavier.
No caso da Vale, a ação ainda é pressionada pela queda do
minério de ferro diante da desaceleração da economia chinesa.
O resultado das eleições e o impacto no dólar
A
direita ainda ganhou força nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Com isso, o mercado passou a ver mais chances de uma mudança na política fiscal e de juros mais baixos no Brasil.
O movimento impulsionou os negócios na Bolsa nesta segunda-feira (5), levando o Ibovespa a cruzar a barreira dos 200 mil pontos pela primeira vez na história. Além disso, provocou uma forte queda do dólar.
"O dólar cai motivado essencialmente por dois grandes fatores. O primeiro deles está ligado à melhora da percepção de risco do país. [...] O segundo ponto é o fluxo de capital", explicou o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, observando que o resultado das urnas alimentou um fluxo expressivo de capital para os ativos brasileiros.
Apesar disso, especialistas recomendam manter a cautela e dizem que a Bolsa ainda pode enfrentar muita volatilidade até o segundo turno das eleições de 2026.
"O mercado antecipa a manutenção deste patamar de valorização, sustentado pelo favoritismo do candidato da direita, embora não se descartem eventuais realizações de lucro pontuais decorrentes do forte ritmo de alta recente", afirmou Perri