Shein estreia na bolsa valendo US$ 26 bilhões: o que aconteceu com a varejista?

Companhia já chegou a ser avaliada em US$ 100 bilhões antes de decidir abrir capital.

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Publicado em 01/09/2026 às 09:07h Publicado em 01/09/2026 às 09:07h por Wesley Santana
Shein é um dos maiores sites asiáticos de compras online (Imagem: Shutterstock)
Shein é um dos maiores sites asiáticos de compras online (Imagem: Shutterstock)

A Shein realizou, nesta terça-feira (1º), sua abertura de capital na bolsa de Hong Kong. A empresa conseguiu levantar o equivalente a US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,8 bi) com os investidores.

Com a oferta, o valuation da companhia foi confirmado em US$ 26 bilhões. O valor deixa a empresa bem longe da lista de companhias mais valiosas do mundo, diferente do que aconteceu com os últimos IPOs realizados.

A operação da Shein era bastante esperada pelo mercado, considerando que poucas empresas de varejo online chegaram a este patamar. Portanto, foi considerado um teste de ferro para essas companhias, que têm passado por sérios desafios com o protecionismo aplicado por diversos governos locais.

“Os diversos desafios da Shein são bem conhecidos pelos investidores”, destaca Vey-Sern Ling, diretor-gerente do Union Bancaire Privee. "O crescimento está desacelerando e os prejuízos aumentando em meio à forte concorrência tanto de empresas de comércio eletrônico quanto do setor de fast-fashion. Mais importante ainda, seu modelo de negócios continua sendo afetado pelas mudanças nas regulamentações internacionais”.

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Ainda assim, o valuation representa quase 15 vezes os lucros futuros e está bem acima do indicador de referência da bolsa de Hong Kong, o Hang Seng.

A Shein já havia feito planos de chegar à bolsa de valores anteriormente e até chegou a ser avaliada em US$ 100 bilhões. No entanto, o apetite do mercado diminuiu, especialmente pelo crescimento da taxa de juros em vários países, que reduziu a vontade dos investidores por investimentos de risco.

Agora, a empresa tem o desafio de mostrar a quem apostou nela que tem capacidade para continuar crescendo. No Brasil, por exemplo, ganhou alguns pontos nas últimas semanas, depois que o governo federal retirou a chamada “taxa das blusinhas”, um imposto que incidia sobre pequenas encomendas oriundas do exterior.

“A avaliação está na faixa de US$ 26 bilhões, o que, na verdade, é substancialmente mais alto do que a maioria dos varejistas de vestuário”, afirmou Sucharita Kodali, analista da Forrester Research, em entrevista à Bloomberg. “Não seria surpreendente se o valor caísse ainda mais, especialmente se não houver um plano claro ou uma narrativa que tenham apresentado aos investidores sobre o que poderiam fazer a seguir, além desse ecossistema de fast fashion ultrabarato que agora está sendo desafiado essencialmente pela imposição das regras de minimis”, pontua.