Mendonça aciona PGR por mensagem a Moraes que menciona suposta proteção a Vorcaro

O ministro André Mendonça estabeleceu prazo de cinco dias para que o órgão se manifeste sobre os registros.

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Publicado em 01/09/2026 às 15:39h Publicado em 01/09/2026 às 15:39h por Elanny Vlaxio
Vorcaro menciona a necessidade de contar com a proteção de Paulo Gonet (Imagem: Shutterstock)
Vorcaro menciona a necessidade de contar com a proteção de Paulo Gonet (Imagem: Shutterstock)
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu esclarecimentos à PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso na operação Compliance Zero. 
No conteúdo, o banqueiro menciona a necessidade de contar com a proteção de Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF (Polícia Federal).
"É importante reforçar com Andrei [que seria Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF] e Paulo [Gonet, procurador-geral da República] pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve", diz Vorcaro. 
O ofício de Mendonça foi encaminhado à PGR na segunda-feira (31). O ministro, que é relator no STF das investigações relacionadas às suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, estabeleceu prazo de cinco dias para que o órgão se manifeste sobre os registros.
Mensagem teria sido enviada a Moraes
A identificação do destinatário não aparece diretamente nos registros analisados pela Polícia Federal. Vorcaro costumava escrever anotações, fazer capturas de tela e enviar as imagens com visualização única, o que dificultou inicialmente determinar para quem o conteúdo havia sido encaminhado.
Durante a apuração, porém, investigadores da PF passaram a considerar que a mensagem teria sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. A informação foi divulgada inicialmente pelo Metrópoles e posteriormente confirmada pela TV Globo.
O que consta no conteúdo
Segundo o relatório elaborado pela Polícia Federal, Vorcaro relatava dificuldades enfrentadas pelo banco e dizia ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central. No relato, a letra “G” seria uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
"O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G [que seria o presidente do BC, Gabriel Galípolo, segundo a PF] e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim", diz a mensagem de Vorcaro.
De acordo com a descrição dos investigadores, Vorcaro afirmava que Galípolo e outros diretores do BC estariam sob forte pressão para tomar alguma medida contra o Banco Master. A pressão, segundo o banqueiro, partiria da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal), que também estariam sinalizando a adoção de providências contra ele.
No mesmo contexto, o relatório aponta que Vorcaro teria pedido ao interlocutor que reforçasse junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet a necessidade de evitar que integrantes subordinados da PF e do MPF tomassem medidas contra ele. A PGR ainda não se manifestou sobre o assunto. 
Mendonça retira sigilo de ação sobre Vorcaro e Moraes
O ministro também determinou nesta terça-feira (1º) o fim do sigilo de uma ação ligada às investigações sobre Vorcaro e às mensagens trocadas com Moraes. A decisão ocorreu depois que a PF apresentou novas informações sobre uma suposta rede de influência e monitoramento atribuída ao ex-dono do Banco Master. O material será analisado pelo Plenário do STF.
De acordo com Mendonça, os investigadores identificaram indícios de que Vorcaro teria recebido antecipadamente informações sobre uma investigação que resultou em uma decisão da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. 
A PF também aponta que o banqueiro teria obtido dados prévios sobre apurações criminais e procedimentos no Banco Central que poderiam prejudicá-lo e que ainda seriam avaliados pelo Judiciário e pela autoridade monetária, segundo informações do jornal "O Estado de S.Paulo".  A investigação também trabalha com a hipótese de que Vorcaro tentava influenciar autoridades públicas envolvidas nas decisões. 
PF aponta pagamentos ao escritório da esposa de Moraes
Entre os novos elementos revelados com a retirada do sigilo estão informações sobre pagamentos feitos por Vorcaro ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o relatório da PF, mensagens encontradas no celular do banqueiro mostram que ele cobrava funcionários do Banco Master para que os repasses ao escritório não sofressem atrasos.
Em uma das conversas, Vorcaro classificou o pagamento como o “mais importante” do banco e demonstrou irritação após uma parcela não ser quitada no prazo. As mensagens também indicam que ele orientou integrantes da instituição a providenciar o pagamento imediatamente.
"Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso", escreveu para o sócio Angelo Silva. "Contato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas".
A PF identificou ainda que o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões líquidos. Considerados os tributos, os pagamentos mensais chegavam a R$ 3.422.268,14. Em outra ocasião, Vorcaro teria autorizado que o pagamento fosse realizado “sem nota” e “do jeito que for”. Posteriormente, também pediu que os repasses não fossem feitos por Pix.
O relatório da PF aponta ainda que a versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes apresentou, nos metadados do documento, uma última alteração feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Segundo os investigadores, o registro indica uma possível participação de Moraes na elaboração do documento antes de sua assinatura.