Selic vai cair em setembro? Mercado coloca 90% de chance após IPCA-15 surpreender

O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40% e acelerou as apostas no mercado por um corte de 25 pontos na Selic em setembro.

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Publicado em 26/08/2026 às 17:38h Publicado em 26/08/2026 às 17:38h por Matheus Silva
A prévia da inflação oficial desacelerou no acumulado de 12 meses para 4,24% (Imagem: Shutterstock)
A prévia da inflação oficial desacelerou no acumulado de 12 meses para 4,24% (Imagem: Shutterstock)
📉 O mercado de juros futuros deu um respiro nesta quarta-feira (26) após a divulgação do IPCA-15 de agosto, que trouxe deflação de 0,40%, resultado mais expressivo do que o mercado esperava. 
A prévia da inflação oficial desacelerou no acumulado de 12 meses para 4,24%, ainda acima do teto da meta do Banco Central, que é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Os vértices de curto prazo da curva a termo foram os mais beneficiados. A taxa do DI para janeiro de 2027 caiu 3 pontos-base após o dado, para 13,650% na mínima intradia, e operava a 13,675% por volta de 14h. O DI para janeiro de 2036, de longo prazo, recuou 2 pontos-base para 14,360% logo após a divulgação, mas voltou a subir para 14,460%.
"Tivemos alguma queda [nas taxas de DIs] após a divulgação do resultado, uma vez que o IPCA-15 surpreendeu com a deflação maior que a projetada", afirmou Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg.

Curva já precifica 90% de chance de corte em setembro

Com o resultado, a curva a termo passou a embutir cerca de 90% de probabilidade de um corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom, em setembro, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em março. 
Com a Selic atualmente em 14% ao ano, o mercado também enxerga 30% de chance de um segundo corte na reunião seguinte, marcada para novembro.

PCE americano limita o alívio no Brasil

O movimento de queda nos juros brasileiros foi parcialmente contido pelo comportamento dos títulos do Tesouro americano. 
O PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) dos EUA, a medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,2% em julho, acumulando alta de 3,7% no ano, acima da projeção de 3,6% e bem distante da meta de 2% do Fed. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, também avançou 0,2% no mês e 3,3% no acumulado anual.
"A inflação continua avançando lentamente em direção à meta, mantendo firmemente em jogo a possibilidade de uma alta de juros ainda este ano, mas os fundamentos do consumidor permanecem frágeis devido à estagnação da renda real", afirmou James Knightley, economista-chefe internacional do ING. Na visão do banco, os juros americanos devem permanecer estáveis até meados de 2027.
📈 Por volta de 14h, o yield do Treasury de dois anos operava em alta a 4,224%, enquanto o retorno do título de dez anos subia para 4,664%, pressão que reduz o espaço para um alívio mais amplo na curva brasileira.