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Santander Brasil (SANB11) frustrou mais uma vez as expectativas do mercado ao apresentar os resultados do terceiro trimestre de 2026.
O banco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões no trimestre, um tombo de 28% em relação ao mesmo período do ano passado e de 4,3% frente ao trimestre anterior.
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ROE (retorno sobre o patrimônio) foi no mesmo caminho e ficou em 11,9%, o menor nível dos últimos três anos. O indicador, que mede a rentabilidade do banco, havia marcado 17,5% um ano antes e 12,5% no último balanço.
Os resultados ficaram abaixo do esperado pelo mercado, que projeteva um lucro de R$ 3,161 bilhões e um ROE de 12,7% para o Santander no terceiro trimestre de 2026, segundo a "Bloomberg". O próprio banco tem uma meta de 20% de ROE.
Em nota, o CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, disse que os resultados refletem o ambiente macroeconômico desafiador, que exige "disciplina, seletividade e foco na qualidade dos resultados".
Carteira de crédito
O Santander Brasil tem adotado uma postura seletiva no crédito e tentado diversificar os negócios, devido ao peso dos juros altos e da inadimplência elevada.
Ainda assim, a carteira de crédito ampliada cresceu e atingiu R$ 721 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma alta de 4,7% no ano e de 0,9% no trimestre. O movimento reflete sobretudo o aumento do financiamento de grandes empresas e do consumo.
"Na pessoa física, a boa performance de cartões e crédito imobiliário de alta renda foi mais do que compensada pela menor exposição ao segmento massivo", afirmou o banco.
O banco garantiu manter a disciplina na alocação de capital, priorizando negócios estratégicos, a adequada gestão de risco dos portfólios e a rentabilidade. Apesar disso, a qualidade dos ativos ainda requer atenção. Por isso, o Santander também mantém provisões elevadas.
A taxa de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4% no terceiro trimestre de 2026, ante os 2,8% do mesmo período de 2025 e os 3,3% do trimestre anterior.
Já o índice de inadimplência de 15 a 90 dias mostrou certa estabilidade e ficou em 3,2%, depois de oscilar entre 3,1% e 3,3%.
Nesse cenário, as despesas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 7,46 bilhões. O valor é 14,4% superior ao de um ano antes, mas cedeu 2,5% no trimestre.
"Seguimos atuando com prudência e disciplina na gestão de riscos e construindo uma carteira mais resiliente aos ciclos macroeconômicos", disse o Santander.
Receitas
A tentativa do Santander de diversificar as fontes de receita também apresentou resultados mistos no terceiro trimestre de 2026.
O banco recebeu R$ 5,4 bilhões em comissões no trimestre, um valor 2,4% inferior ao do mesmo período de 2025, mas 1,6% maior que o do trimestre anterior.
De acordo com o banco, a queda anual reflete menores receitas de corretagem, colocação de títulos e conta corrente, enquanto a alta trimestral reflete o crescimento em seguros e cartões.
Já as despesas continuaram em queda e ficaram em R$ 6,4 bilhões, influenciadas sobretudo por menores despesas de pessoal.
"Seguimos comprometidos com a gestão eficiente de custos e com o uso intensivo de tecnologia para simplificar processos e maximizar a produtividade", afirmou o Santander, que também fechou agências e cortou funcionários no trimestre.
Margens
Diante desse cenário, as margens do Santander recuaram em quase todas as bases de comparação.
A margem financeira bruta foi de R$ 14,9 milhões, redução de 1,6% no ano e de 2,5% no trimestre.
A margem de clientes seguiu a mesma tendência e ficou em R$ 15,8 bilhões, pressionada sobretudo pela menor exposição ao segmento de baixa renda.
Já a margem de mercado ampliou as perdas em 24,7% no trimestre, mas apresentou uma melhora de 33,6% no ano, relacionada a uma menor sensibilidade a taxas de juros.
OPA a caminho
O balanço do terceiro trimestre de 2026 deve mexer com as ações do Santander nesta quarta-feira (28).
Vale lembrar que os papeis tombaram na Bolsa depois da apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, no final de julho.
A OPA prevê a entrega de BDRs ou ADSs do Banco Santander Espanha em troca dos papeis do Santander Brasil e, pelos cálculos do banco, deve ser concluída no primeiro semestre de 2027.