A
renda fixa não para de surpreender positivamente em 2026, mesmo com o início do ciclo de cortes da
taxa Selic reduzindo gradualmente as chances de conseguir lucrar o tão cobiçado
1% ao mês só com
juros compostos.
O relatório da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgado nesta segunda-feira (13) dá conta de mais um recorde à categoria.
Sim, só os
fundos de renda fixa foram capazes de atrair captação líquida positiva de R$ 130,3 bilhões no primeiro trimestre do ano (1T26), mais do que o dobro do observado em igual período de 2025, quando o saldo foi de R$ 58,3 bilhões.
“Com os juros ainda em patamares elevados, a renda fixa segue no radar dos investidores, seja por meio dos
fundos tradicionais ou dos
ETFs que acompanham índices dessa classe de ativos”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Especificamente, o tipo de fundo de renda fixa mais visado pelos investidores foi o segmento de duração baixa crédito livre, responsável por R$ 61,8 bilhões do total.
Mas, que raios seria isso? Tratam-se de fundos de renda fixa que podem manter mais de 20% da carteira alocada em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.
Ou seja, são bem mais arriscados do que a grana aplicada no
Tesouro Direto, que conta com a segurança do dono da máquina de fazer dinheiro no Brasil, mas esse tipo de fundo de investimento também costuma render bem mais.
Mais dinheiro com gestores
Aliás, os investidores estão delegando cada vez mais parte do seu patrimônio nas mãos de gestores profissionais, tanto que a indústria de
fundos de investimento angariou R$ 159,2 bilhões no 1T26, incremento de R$ 8,3 bilhões na comparação anual.
Os dados da Anbima destacam que tivemos neste início de 2026 o melhor resultado para os
fundos de investimento dos últimos cinco anos. Com tal desempenho, o patrimônio líquido nas mãos de gestoras de recursos atingiu R$ 10,8 trilhões.
“Esse resultado mostra a capacidade de adaptação e a solidez da
indústria de fundos, mesmo em um ambiente marcado por riscos econômicos e tensões geopolíticas”, completa Rudge.
O
Investidor10 já cantou a bola que o investimento ignorado por 99% dos brasileiros, por outro lado, segue no radar dos investidores inteligentes, que aplicaram R$ 17,8 bilhões em
ETFs (fundos de índices) no 1T26, o melhor ciclo em cinco anos.
Mais uma vez, só os
ETFs de renda fixa, que costumam reproduzir o desempenho do
Tesouro Selic ou do índice mais eficiente do mercado, o
IMA-B5+, totalizaram R$ 15,5 bilhões em captação líquida.
Os
fundos multimercados, que investem tanto em renda fixa quanto em renda variável, somaram R$ 11,2 bilhões no trimestre. Foi a primeira vez desde 2022 que os
multimercados ficaram com saldo positivo.
Já os
fundos de renda fixa também foram destaque em termos de rentabilidade, entregando valorização de +3,4% durante o 1T26, inclusive ficando acima do
CDI, taxa de referência colada na
Selic.