O investidor brasileiro já se acostumou em 2026 a ver taxas apelativas sendo oferecidas no
Tesouro Direto, com indexados à inflação pagando acima de
IPCA+ 8% ao ano ou prefixados remunerando quase 15% ao ano. Só que os títulos do governo americano (Treasury Bonds) também enfrentam baita estresse.
O leilão de US$ 25 bilhões em Treasury Bonds emplacado pelo governo americano nesta quinta-feira (13) já apelava com remuneração recorde de 5,23% ao ano, o que para os padrões brasileiros até pode parecer pouco, mas trata-se da maior taxa já ofertada desde 2001, em plena "Bolha das .com".
Embora seja tentador aproveitar uma
renda fixa em dólar, pagando remuneração recorde garantida pelos próximos 30 anos, e ainda com a variação cambial do
dólar, os investidores globais não estão arrematando tantos Treasury Bonds quanto o governo americano gostaria.
Afinal de contas, o custo elevado dos EUA para rolar a sua dívida também encarece o crédito dos consumidores, especialmente os financiamentos imobiliários e hipotecas balizados pelos Treasury Bonds com vencimento em 30 anos, gerando desgaste ao presidente Donald Trump e sua equipe econômica.
Da mesma forma que ocorre aqui no Brasil, com investidores rejeitando aportes relevantes em títulos de longo prazo, caso do
Tesouro IPCA+ 2050 pagando
IPCA+ 7,40% ao ano, o mercado prefere se travar na renda fixa em dólar com vencimento mais curto e que também ainda remunera bem, assim como o faz o
Tesouro Selic.
O que agrava a situação do governo americano é o fato de já existir uma elevada quantidade de Treasury Bonds com vencimento em 30 anos circulando no mercado, o que limita a ação do Tesouro dos EUA em simplesmente reduzir a oferta em novos leilões de dívida pública.