Receita prevê frustração de R$ 10,8 bi na arrecadação do IR sobre dividendos em 2026

A Receita Federal divulgou que prevê arrecadar R$ 17,2 bilhões com IR sobre dividendos em 2026, R$ 10,8 bilhões abaixo do meta.

Author
Publicado em 25/07/2026 às 21:14h Publicado em 25/07/2026 às 21:14h por Matheus Silva
No 1º semestre, o desempenho da nova arrecadação de receita ficou aquém do esperado (Imagem: Shutterstock)
No 1º semestre, o desempenho da nova arrecadação de receita ficou aquém do esperado (Imagem: Shutterstock)
💰 A arrecadação com o Imposto de Renda sobre dividendos deve somar R$ 17,2 bilhões em 2026, valor significativamente abaixo dos R$ 28 bilhões previstos inicialmente no Orçamento. 
A estimativa foi apresentada nesta sexta-feira (24) pela Receita Federal durante a divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, representando uma frustração de aproximadamente R$ 10,8 bilhões em relação à projeção original.
A tributação dos dividendos foi criada como medida compensatória para cobrir a perda de arrecadação provocada pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, medida que também tem impacto estimado em R$ 28 bilhões neste ano.

Apenas R$ 2,2 bi foram arrecadados no 1º semestre

No primeiro semestre, o desempenho da nova fonte de receita ficou aquém do esperado. De janeiro a junho, a arrecadação somou apenas R$ 2,2 bilhões. A Receita Federal espera recuperar terreno no segundo semestre, com projeção de R$ 15 bilhões adicionais entre julho e dezembro.
Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, reconheceu que o segundo semestre ainda será acompanhado de perto pelo Fisco. 
"A expectativa é arrecadar cerca de R$ 15 bilhões no segundo semestre, totalizando aproximadamente R$ 17,2 bilhões no ano", disse durante a apresentação do relatório.

Planejamento diz que é cedo para revisar estimativa

Apesar da arrecadação abaixo do previsto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, defendeu cautela antes de qualquer revisão das projeções. Segundo ele, esse tipo de receita não apresenta comportamento uniforme ao longo do ano, o que dificulta conclusões precipitadas com base apenas no resultado do primeiro semestre.
"Não dá para tratar isso de maneira linear. Agora, nós já vamos entrando no segundo semestre e haverá mais base para entender se essa projeção se mantém ou não. No próximo relatório, de posse de números mais atualizados, nós vamos tomar novas decisões", afirmou.
O ministro também destacou que outras receitas tributárias vêm superando as expectativas, ajudando a compensar o desempenho abaixo do esperado da tributação sobre dividendos. 
"Ainda temos uma margem na meta de resultado primário de R$ 10,8 bilhões. Hoje, com as premissas utilizadas no relatório, temos muita segurança sobre o cumprimento com folga da nossa meta", disse Moretti. Ele ressaltou ainda que a estimativa de arrecadação total do Imposto de Renda cresceu R$ 12,7 bilhões entre os relatórios bimestrais de maio e julho.

Dividendos acima de R$ 50 mil mensais são tributados em 10%

Pelas regras em vigor, dividendos distribuídos a pessoas físicas passaram a ser tributados em 10%, tanto para residentes no Brasil quanto nas remessas ao exterior. Permanecem isentos os valores de até R$ 50 mil mensais recebidos de uma mesma empresa.
Mesmo com a arrecadação inferior ao previsto, o governo manteve as projeções fiscais do Orçamento. O relatório bimestral estima superávit primário de R$ 10,8 bilhões em 2026, com dedução de gastos autorizada pelo arcabouço fiscal e pelo STF, resultado que permanece dentro da banda de tolerância da meta fiscal. 
A meta central fixada para o ano é um superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB, com margem que permite resultado até 0,5% do PIB abaixo.
A equipe econômica avalia que a frustração com os dividendos vem sendo parcialmente compensada por outras fontes de receita, incluindo medidas adotadas nos últimos anos para ampliar a tributação de empresas e investimentos no exterior. 
💲 A Receita Federal informou que continuará monitorando o desempenho da tributação sobre dividendos e poderá revisar novamente a estimativa no próximo relatório bimestral, caso o ritmo de recolhimento permaneça abaixo do esperado.