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Raízen (RAIZ4) recebeu uma nova proposta de reestruturação de dívida dos bancos credores, segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News.
O plano prevê que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos da companhia na Argentina sejam destinados à redução da dívida.
Entre as condições apresentadas também está a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora
Cosan (CSAN3), da presidência do conselho da Raízen, reiterando pedido anterior dos detentores de títulos.
Diferentemente da proposta dos bondholders, que solicitaram R$ 8 bilhões, a proposta dos bancos credores não especifica um valor.
A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano, com uma dívida total de R$ 65 bilhões a renegociar.
A recuperação extrajudicial permite que empresas renegociem parte das dívidas diretamente com determinados credores, com o objetivo de ganhar prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças sem recorrer à recuperação judicial.
Proposta anterior previa debt-to-equity swap com 90% da empresa
Na semana passada, credores e detentores de títulos haviam apresentado proposta de converter 45% da dívida em participação acionária, em troca de 90% do controle da Raízen, também segundo a Bloomberg News.
A operação se caracterizaria como um debt-to-equity swap, mecanismo em que dívidas são trocadas por fatias na empresa.
Pelo modelo proposto, a Raízen receberia alívio financeiro, mas os credores passariam a ser os principais controladores, com diluição expressiva dos acionistas atuais.
Bancos como
Itaú Unibanco (ITUB4) e
Bradesco (BBDC4) estariam ameaçando cortar crédito para outras empresas da Cosan caso não seja encontrada uma solução para a Raízen. Os credores também buscam maior poder de decisão na gestão da companhia.
Shell e Cosan injetam R$ 4 bilhões
A Shell se comprometeu no mês passado a investir R$ 3,5 bilhões para apoiar a Raízen, enquanto a Cosan se comprometeu com outros R$ 500 milhões.
Nos últimos meses, o cenário foi agravado por sucessivos rebaixamentos de rating pelas agências S&P Global Ratings, Moody's e Fitch, o que elevou o custo de capital e reduziu a previsibilidade financeira da empresa.
Aproximadamente metade da dívida está concentrada em bancos, enquanto o restante pertence a investidores do mercado de capitais, incluindo bondholders, detentores de CRAs e debenturistas. A recuperação extrajudicial prevê a suspensão de pagamentos por 90 dias.
📊 As dificuldades da Raízen decorrem de um período de altos investimentos combinado a clima desfavorável e incêndios em canaviais que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de esmagamento de cana.