A quatro meses das
eleições 2026, o cenário político tem influenciado cada vez mais os movimentos da Bolsa brasileira.
O mercado acompanha de perto os movimentos dos presidenciáveis para entender como o resultado eleitoral pode afetar os investimentos. Além disso, faz as contas para traçar os cenários mais prováveis para os próximos anos.
O levantamento compara o volume de dividendos desembolsado pelas empresas listadas na B3 no governo de Jair Bolsonaro (PL) e no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dessa forma, revela que a distribuição de dividendos está prestes a atingir uma marca histórica, apesar de toda a volatilidade observada na Bolsa ao longo deste mandato de Lula.
Compare os números
📊 De acordo com o levantamento da Elos Ayta Consultoria, as empresas listadas na B3 já distribuíram R$ 957,6 bilhões em dividendos e JCP neste governo Lula.
O dado considera os proventos pagos entre janeiro de 2023 e março de 2026 e está muito perto do volume observado ao longo de todo o governo Bolsonaro: R$ 978,1 bilhões.
O CEO da Elos Ayta Consultoria, Einar Rivero, diz, então, que a distribuição de dividendos pode alcançar a marca simbólica de R$ 1 trilhão no governo atual. Afinal, ainda restam três trimestres até o fim do mandato.
Vale lembrar, porém, que muitas empresas anteciparam o pagamento de dividendos no final de 2025, para escapar da
taxação de dividendos que entrou em vigor no início de 2026, o que pode afetar o volume de distribuições dos próximos trimestres.
Petrobras pesa, mas outras empresas ganham força
⛽ A Petrobras já distribuiu R$ 255,9 bilhões em dividendos neste terceiro mandato de Lula, pouco menos que os R$ 282 bilhões observados ao longo de todo o governo Bolsonaro.
Por outro lado, os dividendos das demais empresas listadas na B3 aceleraram e já superam os níveis registrados em Bolsonaro.
Segundo o estudo da Elos Ayta Consultoria, essas empresas desembolsaram R$ 701,7 bilhões em dividendos desde o início deste governo Lula, contra R$ 696,1 bilhões do governo Bolsonaro.
"O resultado mostra que a remuneração aos acionistas deixou de ser um fenômeno concentrado em uma única empresa ou em um pequeno grupo de exportadoras de commodities", comentou Einar Rivero, na sua coluna para o site "E-Investidor".
O que explica a alta?
Segundo ele, empresas de diferentes setores contribuíram para a alta dos dividendos, como bancos, seguradoras, elétricas, empresas de saneamento, infraestrutura, telecomunicações e logística.
Logo, as mudanças do ciclo político não são suficientes para explicar esses números. Para Einar Rivero, a evolução dos dividendos distribuídos pelas empresas da B3 pode ser explicada pelos seguintes fatores:
- crescimento dos lucros corporativos;
- amadurecimento da governança das empresas listadas;
- disciplina na alocação de capital;
- maior foco na geração de valor ao acionista.
"Mais do que uma fotografia de governos, os números retratam a evolução das empresas brasileiras e a crescente importância da remuneração aos acionistas como um dos pilares do mercado de capitais nacional", escreveu Einar Rivero.
Compare os números:
- Dividendos da Petrobras:
- R$ 282 bilhões em Bolsonaro;
- R$ 255,9 bilhões em Lula 3.
- Dividendos das outras empresas:
- R$ 696,1 bilhões em Bolsonaro;
- R$ 701,7 bilhões em Lula 3.
- Total:
- R$ 978,1 bilhões em Bolsonaro;
- R$ 957,6 bilhões em Lula 3 (até março de 2026).