⚖️ A abertura do inquérito para investigar Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, mobilizou o gabinete do ministro André Mendonça, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) em um debate que se arrastou por quase uma semana nos bastidores da Corte.
A Polícia Federal, ao encaminhar o pedido de abertura do inquérito em 24 de julho, argumentou que a apuração tratava de fatos distintos dos investigados na Operação Sem Desconto.
A investigação mira Lulinha por tráfico de influência e corrupção ao supostamente favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
PF sustentou que caso não deveria ir a Mendonça
Com base nesse argumento, a PF sustentou que o inquérito não deveria ser distribuído por prevenção ao ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao esquema de fraudes no INSS e que já analisava quebras de sigilo de Lulinha.
O pedido chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes na presidência da Corte, em período de recesso do Judiciário.
Antes de decidir sobre o relator, Moraes solicitou manifestação da PGR. Em parecer encaminhado em 27 de julho, a Procuradoria concordou com a avaliação da PF: os fatos eram distintos dos apurados na Operação Sem Desconto e, portanto, não havia justificativa para reconhecer a prevenção de Mendonça. A manifestação foi pela distribuição por sorteio eletrônico.
Sorteio eletrônico escolheu justamente André Mendonça
Com base no parecer, Moraes determinou a distribuição do caso por sorteio entre os ministros do STF. O sistema eletrônico, no entanto, acabou sorteando justamente André Mendonça, que passou a conduzir a investigação.
O ministro autorizou nesta quinta-feira a abertura do inquérito solicitado pela PF contra o filho do presidente.
Apesar de toda a discussão sobre a distribuição, em nenhum momento a PF ou a PGR sustentaram que Mendonça estivesse impedido de atuar no caso. O debate se restringiu à existência ou não de conexão suficiente para justificar a prevenção, instituto processual que mantém investigações relacionadas sob um mesmo relator.
Nos bastidores do STF, a manifestação da Polícia Federal foi vista com ressalvas por integrantes do tribunal, que interpretaram a posição da corporação como uma tentativa de retirar o caso da condução de Mendonça.
A avaliação na Corte e na PF é de que o episódio contribuiu para aprofundar a crise na relação entre o gabinete do ministro e a Polícia Federal, que já vinha acumulando divergências ao longo das investigações envolvendo o Banco Master e o próprio INSS.
PT teme que casos de Lulinha e Jaques Wagner desviem o foco da campanha
O caso ocorre a poucos dias da convenção que oficializa Lula como candidato à reeleição, marcada para este domingo (2), em um momento de preocupação crescente entre integrantes da campanha petista.
A avaliação de aliados do presidente é que os desdobramentos envolvendo Lulinha e o
senador Jaques Wagner (PT-BA) podem oferecer à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) um novo eixo de ataque no momento em que o adversário buscava reorganizar sua estratégia eleitoral.
O temor não decorre de um impacto direto das investigações sobre a candidatura de Lula, mas do efeito político que elas podem produzir na disputa.
A estratégia petista vinha sendo manter o debate concentrado na economia, na comparação entre governos e na recuperação dos índices de aprovação do presidente.
📊 A entrada de novos fatos ligados ao entorno do PT ameaça deslocar parte da campanha para um terreno considerado mais favorável ao bolsonarismo.