📉 As
ações do roxinho chegaram a cair mais de 10% na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York) nesta terça-feira (2).
Com isso, o papel atingiu a menor cotação desde abril do ano passado e voltou a ser negociado na casa dos US$ 11.
Não bastasse isso, o BofA (Bank of America) rebaixou a recomendação para o papel para venda e cortou o preço-alvo de US$ 16 para US$ 10, o que sugere uma queda adicional do ativo.
Em relatório, o BofA argumentou que o timing da mudança no alto escalão do Nubank adiciona incertezas sobre a estratégia e a execução do banco digital.
O novo CFO do Nubank
O Nubank anunciou a troca do seu CFO na noite de segunda-feira (1º). Após cinco anos no cargo, Guilherme Lago passará a atuar como conselheiro especial do banco digital a partir do próximo dia 31 de agosto.
👨💼 Com isso, a diretoria financeira global do roxinha ficará com
Rob Livingston, que vinha atuando como CFO para a América do Norte da
Visa (VISA34) e também já ocupou posições de liderança na Capital One.
O Nubank ainda criará o cargo de CFO para o Brasil, para fortalecer a estrutura de liderança local e permitir que Livingston foque nas prioridades estratégicas da empresa, além do seu planejamento financeiro global.
"Meu foco continuará sendo a excelente execução da organização financeira, otimizando a alocação de capital e apoiando a próxima fase de crescimento", afirmou o executivo.
Em nota, o CEO do Nubank, David Vélez, disse que a sucessão foi planejada e que Livingston "é a pessoa certa para liderar a equipe no que vem a seguir".
Vélez também garantiu que as prioridades do banco permanecem inalteradas: crescimento nos mercados principais, transformação em torno da IA e expansão internacional disciplinada.
A avaliação do mercado
Ainda assim, a troca pegou o mercado de surpresa e acabou pesando nas ações do Nubank nesta terça-feira (2).
🏦 No mesmo tom do BofA, o BTG explicou que, embora Livingston tenha um currículo sólido e as competências necessárias para liderar a área financeira do Nubank, a mudança não era esperada e vem em um momento delicado para o banco digital.
Afinal, o roxinho está se movimentando para expandir a sua operação para além da América Latina, a começar pelos Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, enfrenta um cenário desafiador no seu principal mercado, dado o aumento da inadimplência no Brasil.
"Em um momento de maior incerteza em torno da tese do investimento, particularmente devido às preocupações com a expansão nos EUA e a qualidade dos ativos, a mudança acrescenta outra camada de incerteza", afirmou o BTG.
"Na nossa visão, a combinação de outra saída inesperada na liderança, deterioração na qualidade dos ativos, pressão sobre margens ajustadas ao risco e menor visibilidade de lucros torna o investimento menos atraente", reforçou o BofA.
Apesar disso, o BTG acredita que esse impasse pode ser de curto prazo. Por isso, tirou o Nubank da sua carteira recomendada para junho, colocando o
Itaú (ITUB4) no lugar. Porém, reiterou a recomendação de compra para as ações do roxinho, por entender que a instituição continua a ser uma das vencedoras de longo tempo no setor financeiro da América Latina.
Foco no exterior
Por sua vez, o Safra observou que "a chegada de Livingston parece alinhada ao momento de transformação da Nu Holdings, que avança para operar de forma cada vez mais próxima de um banco global".
O banco, porém, reforçou o entendimento de que a saída de Guilherme Lago "pesa na leitura de curto prazo e justifica uma postura mais cautelosa até que a nova estrutura esteja plenamente definida".
Afinal, Lago há anos na empresa e havia se consolidado como o seu principal interlocutor com o mercado. Além disso, o Nubank ainda não definiu quem será o CFO para o Brasil.
"Isso ganha relevância porque o Brasil continua no centro da tese de investimento da companhia, em um momento no qual o mercado acompanha de perto sinais sobre a qualidade dos ativos de crédito", explicou o Safra, lembrando o novo diretor financeiro global do Nubank não tem experiência anterior no mercado brasileiro.