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Mercado Livre (MELI34) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com crescimento expressivo nas vendas, mas sem conseguir transformar a expansão do negócio em um avanço proporcional da rentabilidade.
A companhia registrou receita de US$ 10,75 bilhões entre julho e setembro, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o lucro líquido ficou em US$ 448 milhões, avanço de aproximadamente 6% na comparação anual.
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Apesar do crescimento, o resultado final ficou abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela LSEG projetavam lucro de US$ 476 milhões para o período. A diferença foi influenciada principalmente pelo aumento dos investimentos em infraestrutura logística e pelos custos necessários para preparar a operação para a temporada de compras de fim de ano.
O desempenho marca a retomada do crescimento anual do lucro após três trimestres consecutivos de retração. Ainda assim, a evolução da receita veio acompanhada de uma pressão significativa sobre as margens, refletindo a estratégia da companhia de ampliar sua capacidade operacional para sustentar a expansão na América Latina.
Investimentos em logística reduzem rentabilidade
Um dos principais movimentos do trimestre foi a ampliação da estrutura de fulfillment, formada pelos centros de distribuição responsáveis pelo armazenamento, processamento e envio dos produtos vendidos na plataforma.
A capacidade dessa operação cresceu aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior. No mesmo intervalo do ano passado, a expansão havia sido de 10%. O reforço da estrutura busca atender ao aumento esperado da demanda durante campanhas promocionais, como a
Black Friday e as festas de fim de ano.
O investimento, entretanto, elevou os custos antes que toda a capacidade adicional pudesse se converter em receita. Como consequência, a margem operacional caiu para 6,3%, ante quase 10% no terceiro trimestre de 2025. O indicador também ficou abaixo dos 7% estimados pelo mercado.
Além da infraestrutura, o frete grátis teve participação na pressão sobre a rentabilidade, especialmente após a expansão das operações no Brasil e na Argentina. Os gastos com marketing no mercado brasileiro e a alta dos combustíveis também contribuíram para elevar as despesas.
Segundo o diretor financeiro da companhia, Martin de los Santos, a antecipação dos custos para ampliar a capacidade logística tende a pressionar as margens no trimestre em que os investimentos são realizados. A expectativa da administração é que a estrutura ampliada contribua para a geração de receita nos períodos seguintes.
Brasil lidera avanço do faturamento
Embora a rentabilidade tenha sido pressionada, o crescimento da receita superou as projeções dos analistas. O faturamento de US$ 10,75 bilhões ficou acima dos US$ 10,66 bilhões esperados pelo consenso da LSEG.
O Brasil foi o principal destaque na expansão das receitas. A companhia, que combina comércio eletrônico e serviços financeiros em diversos países latino-americanos, tem direcionado recursos para ampliar sua presença e fortalecer a frequência de compras dos consumidores.
A administração avalia que os investimentos realizados estão contribuindo para elevar o engajamento dos usuários e a recorrência das compras. A estratégia, portanto, prioriza o crescimento e a consolidação da posição competitiva da empresa, mesmo diante de efeitos negativos sobre as margens no curto prazo.
Mercado Pago amplia crédito e adota postura mais cautelosa
Na divisão financeira, o Mercado Pago apresentou crescimento de 62% na carteira de crédito em relação ao terceiro trimestre de 2025. Apesar da expansão, o ritmo de avanço desacelerou em comparação com os trimestres anteriores.
A empresa também sinalizou uma postura mais conservadora na concessão de empréstimos no Brasil e na Argentina. De acordo com o diretor financeiro, a decisão considera um ambiente de crédito mais complexo nos dois mercados.
A cautela indica que, mesmo com a expansão dos serviços financeiros, a companhia busca administrar a exposição ao risco de crédito em regiões que apresentam condições mais desafiadoras.
Ações acumulam queda em 2026
O desempenho financeiro ocorre em um período de maior pressão sobre os papéis da companhia. As ações do Mercado Livre acumulavam desvalorização de aproximadamente 13% em 2026 até a publicação dos resultados.
O movimento contrasta com a valorização registrada entre 2023 e 2025, quando os papéis avançaram quase 140%.
O balanço do terceiro trimestre evidencia o dilema enfrentado pela empresa. De um lado, a receita continua crescendo em ritmo acelerado e a companhia amplia sua infraestrutura para atender à demanda futura. De outro, os investimentos, as despesas logísticas e os custos comerciais reduzem a rentabilidade no curto prazo.
📈 A capacidade de transformar a estrutura adicional em vendas e geração de resultados será determinante para que a expansão do negócio se traduza em margens mais elevadas nos próximos períodos.