Justiça aprova recuperação judicial da Fictor que tem dívidas de R$ 4 bilhões

Empresa tem 180 dias para plano e enfrenta crise nas ações

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Publicado em 19/04/2026 às 10:50h Publicado em 19/04/2026 às 10:50h por Wesley Santana
Empresa é apontada por ligação com o Banco Master, misturado pelo Banco Central (Imagem: Shutterstock)
Empresa é apontada por ligação com o Banco Master, misturado pelo Banco Central (Imagem: Shutterstock)

Mais uma empresa da B3 está oficialmente em recuperação judicial. Neste sábado (19), a Justiça de São Paulo deu aval ao pedido da Fictor Holding, controladora da Fictor Alimentos (FICT3), realizado no ano passado.

Na ocasião, a empresa reportou dívidas milionárias e o temor de que os credores pedissem o vencimento antecipado dos débitos. Agora, a empresa tem 180 dias para ajustar seu caixa, definir um plano de recuperação judicial e apresentar o documento perante o órgão judicial.

Na decisão, a juíza mostrou diversas preocupações com a gestão e o atual cenário financeiro da companhia. Foram destacadas inconsistências contábeis, indícios de confusão patrimonial e a existência de um caixa único.

Mesmo com tudo isso, a magistrada afirmou que a companhia cumpre os requisitos para a proteção contra os credores, especialmente para preservar a atividade econômica do negócio.

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“O indeferimento do pedido traria a consequente insolvência do grupo motivada por execuções individuais”, diz a decisão. A Fictor informou mais de R$ 4 bilhões em dívidas com mais de 13 mil empresas.

A Justiça nomeou a consultoria PwC para fazer uma auditoria nas contas da Fictor, que deve apresentar um primeiro relatório em até 15 dias. Depois disso, mensalmente, novos documentos devem ser publicados com o andamento da situação financeira da holding.

Já o plano de RJ deve ser apresentado no máximo em 60 dias, detalhando como serão feitos os pagamentos em aberto. A Laspro Consultores Ltda. foi nomeada como administradora judicial, responsável por operacionalizar a gestão dentro da RJ.

Outro problema

Com a situação das dívidas minimamente equacionadas, agora a Fictor tem outro problema nas mãos. As ações de sua principal subsidiária, a Fictor Alimentos, viraram um penny stock, com cada papel cotado em menos de R$ 1.

Desta forma, foi notificada pela B3 para resolver essa questão, já que o valor mínimo para negociar no balcão foi descumprido. Por meio de fato relevante, a companhia destacou que deve começar os trabalhos para fazer o grupamento de ações, sem destacar qual será a proporção fixada.

“A Fictor Alimentos informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que recebeu correspondência da B3 acerca do desenquadramento do valor de cotação mínimo de suas ações ordinárias, que vêm sendo negociadas abaixo de R$ 1,00 desde 2 de fevereiro de 2026”, confirma o fato relevante. “Encaminhará oportunamente ao Conselho de Administração proposta de grupamento de ações, a ser submetida à deliberação da Assembleia Geral, para fins de reenquadramento da cotação ao valor mínimo exigido pelo Regulamento”, completa.

As ações da companhia terminaram a última sexta (17) cotadas em R$ 0,36. Desde janeiro, o recuo chega a 83%, conforme destaca o histórico da B3.