📉 O JP Morgan rebaixou a recomendação do Brasil de overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para neutro, citando o fim próximo do ciclo de flexibilização monetária, a desaceleração do crescimento econômico e a deterioração do ciclo de crédito.
Com a mudança, o banco passa a recomendar que grandes fundos e investidores mantenham em carteira uma fatia de ações brasileiras proporcional ao peso do país nos índices de referência internacionais, sem exposição acima ou abaixo da média.
A expectativa do JP Morgan é de um último corte de 0,25 ponto percentual na
Selic em setembro, seguido por uma "longa pausa" que deve se estender até o segundo trimestre de 2027. O cenário restringe o espaço para um impulso adicional via política monetária, um dos principais catalisadores que sustentava a tese de compra no país.
Eleições e volatilidade crescente pesam na decisão
Do ponto de vista técnico, o banco observa que os ativos brasileiros historicamente registram desempenho inferior nos seis meses que antecedem eleições. Embora o padrão não tenha se repetido em julho, quando o
Ibovespa subiu 3,47% e o
dólar recuou 1,92% frente ao real, o mercado brasileiro já começa a ceder em agosto.
Na avaliação do JP Morgan, a tendência deve persistir à medida que a volatilidade, ainda em nível baixo, tende a aumentar no período pré-eleitoral.
"No geral, tudo parece muito calmo por enquanto no que diz respeito aos preços, e optamos por ficar à margem antes da volatilidade que se aproxima", afirma o banco em relatório a clientes.
O JP Morgan também destaca que tanto o mercado acionário quanto o real exibem estabilidade desde maio, sinalizando que há pouco prêmio eleitoral embutido nos preços atuais. Quem vencer em outubro herdará juros reais altos e déficit fiscal, avalia o banco.
Para além do cenário de curto prazo, o JP Morgan ressalta que a perspectiva política segue incerta. Na visão do banco, independentemente do vencedor das eleições de outubro, o próximo governo terá de enfrentar taxas de juros reais elevadas e déficit fiscal, combinação que limita o espaço para estímulos e reduz a atratividade dos ativos brasileiros no médio prazo.
📉 O banco revisou para baixo o preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 7,45% em relação ao fechamento desta segunda-feira (10).