A prévia da inflação brasileira ganhou força em abril. O
IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) registrou alta de 0,89% no mês, refletindo principalmente o avanço nos preços de alimentos e bebidas, que subiram 1,46%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No acumulado de 12 meses, o índice avançou para 4,37%, acima dos 3,90% registrados no período imediatamente anterior. Na comparação com abril de 2025, quando o indicador havia subido 0,43%, houve uma aceleração de 1,03 ponto percentual.
Em relação a março, quando a variação foi de 0,44%, o indicador mostrou aceleração, mas ainda permanece dentro do intervalo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central do Brasil, de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Entre os grupos que mais pressionaram o índice, Alimentação e bebidas liderou, seguido por Transportes, que avançou 1,34% e respondeu por 0,27 ponto percentual do resultado. Juntos, esses dois grupos concentraram cerca de 65% da inflação do mês.
Veja a variação mensal dos preços por grupos:
- Alimentação e bebidas: 1,46%;
- Habitação: 0,42%;
- Artigos de residência: 0,48%;
- Vestuário: 0,76%;
- Transportes: 1,34%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,93%;
- Despesas pessoais: 0,32%;
- Educação: 0,05%;
- Comunicação: 0,48%.
O que dizem os especialistas?
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o resultado veio abaixo das expectativas do mercado e reforça um cenário de inflação pressionada, mas ainda sob controle. "O dado confirma um cenário de inflação pressionada, mas ainda concentrada em itens mais voláteis”, afirma. Segundo ele, apesar da aceleração, não há sinais de descontrole inflacionário, embora o nível de difusão exija cautela na condução da política monetária.
Na mesma linha, Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, destaca que o dado trouxe uma surpresa baixista, mas com composição heterogênea. Ainda assim, ela alerta que o cenário segue desafiador, com pressão mais disseminada em bens industriais, o que pode limitar uma visão mais otimista para a inflação no curto prazo.
Já Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, avalia que, apesar do número geral mais benigno, a composição do índice inspira maior atenção. Ele ressalta o impacto relevante da gasolina e o comportamento mais resistente de alguns grupos ligados à demanda. Para o economista, o dado reforça a necessidade de cautela na política monetária, indicando que a inflação segue pressionada em componentes mais estruturais.