A inflação oficial brasileira subiu 0,58% em maio, pressionada pelos preços dos alimentos e da energia elétrica.
💲 O resultado desacelerou em relação aos 0,67% observados em abril. Porém, ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,53% do indicador.
Ou seja, o indicador acabou estourando a meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
🏦 O resultado eleva as incertezas sobre os próximos movimentos do Copom (Comitê de Política Monetária), que se reúne na próxima terça (16) e quarta-feira (17) para decidir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira.
Inicialmente, a expectativa do mercado era de que o Copom voltasse a cortar a
Selic na próxima semana. Porém, a avaliação de que a taxa pode ser mantida nos atuais 14,50% ganhou força nos últimos dias, diante do aumento das pressões inflacionárias.
Segundo o
Boletim Focus, o mercado acredita que a inflação vai subir 5,11% em 2026 e a Selic vai terminar o ano em 13,50%. Porém, alguns agentes acreditam que essa projeção ainda é otimista demais. A XP, por exemplo, vê juros de 14,00% ao final do ano. Já o BTG trabalha com uma Selic de 14,25%.
O que pesou sobre a inflação de maio?
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação de maio foi pressionada sobretudo pelos preços dos alimentos e da conta de luz.
🍅 A inflação dos alimentos e bebidas (1,33%) respondeu por metade da alta do IPCA, devido ao aumento de itens como batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%).
A energia elétrica residencial (3,67%) também pesou, já que a bandeira tarifária da conta de luz subiu para o nível amarelo em maio e a tarifa ainda foi reajustada em cidades como Fortaleza e Salvador.
Quase todos os outros grupos da inflação registraram altas de preços em maio, com destaque para o de saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,90% devido ao aumento de artigos de higiene pessoal (1,95%), como o perfume (4,42%), e do plano de saúde (0,50%).
⛽ Segundo o IBGE, apenas a inflação dos transportes deu sinais de alívio em maio, ao recuar 0,46%. A queda foi puxada pelos preços dos combustíveis, que diminuíram 1,95% diante das medidas do governo federal para aliviar o impacto da guerra no Oriente Médio no bolso do consumidor brasileiro.
O preço da
gasolina, por exemplo, havia subido 1,86% em abril, mas recuou 1,46% em maio, depois que o combustível entrou na lista de subsídios do governo. Além disso, o preço do diesel diminuiu 2,34% e o do etanol afundou 6,20%.
Veja como os grupos da inflação se comportaram em maio:
- Alimentação e bebidas: 1,33%;
- Habitação: 1,22%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,90%;
- Vestuário: 0,62%;
- Despesas pessoais: 0,41%;
- Comunicação: 0,23%;
- Artigos de residência: 0,08%;
- Educação: 0,00%;
- Transportes: -0,46%.