Inflação sobe 0,58% em maio e fura teto da meta, nas vésperas do Copom

O IPCA ficou acima do esperado pelo mercado e já acumula uma alta de 4,72% em 12 meses.

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Publicado em 12/06/2026 às 09:51h Publicado em 12/06/2026 às 09:51h por Marina Barbosa
Inflação foi pressionada pelos alimentos e pela conta de luz em maio (Imagem: Shutterstock)
Inflação foi pressionada pelos alimentos e pela conta de luz em maio (Imagem: Shutterstock)
A inflação oficial brasileira subiu 0,58% em maio, pressionada pelos preços dos alimentos e da energia elétrica.
💲 O resultado desacelerou em relação aos 0,67% observados em abril. Porém, ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,53% do indicador.
Com isso, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já acumula uma alta de 3,20% no ano e de 4,72% nos últimos 12 meses.
Ou seja, o indicador acabou estourando a meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
🏦 O resultado eleva as incertezas sobre os próximos movimentos do Copom (Comitê de Política Monetária), que se reúne na próxima terça (16) e quarta-feira (17) para decidir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira.
Inicialmente, a expectativa do mercado era de que o Copom voltasse a cortar a Selic na próxima semana. Porém, a avaliação de que a taxa pode ser mantida nos atuais 14,50% ganhou força nos últimos dias, diante do aumento das pressões inflacionárias.
Segundo o Boletim Focus, o mercado acredita que a inflação vai subir 5,11% em 2026 e a Selic vai terminar o ano em 13,50%. Porém, alguns agentes acreditam que essa projeção ainda é otimista demais. A XP, por exemplo, vê juros de 14,00% ao final do ano. Já o BTG trabalha com uma Selic de 14,25%.

O que pesou sobre a inflação de maio?

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação de maio foi pressionada sobretudo pelos preços dos alimentos e da conta de luz.
🍅 A inflação dos alimentos e bebidas (1,33%) respondeu por metade da alta do IPCA, devido ao aumento de itens como batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). 
 
A energia elétrica residencial (3,67%) também pesou, já que a bandeira tarifária da conta de luz subiu para o nível amarelo em maio e a tarifa ainda foi reajustada em cidades como Fortaleza e Salvador.
Quase todos os outros grupos da inflação registraram altas de preços em maio, com destaque para o de saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,90% devido ao aumento de artigos de higiene pessoal (1,95%), como o perfume (4,42%), e do plano de saúde (0,50%).
⛽ Segundo o IBGE, apenas a inflação dos transportes deu sinais de alívio em maio, ao recuar 0,46%. A queda foi puxada pelos preços dos combustíveis, que diminuíram 1,95% diante das medidas do governo federal para aliviar o impacto da guerra no Oriente Médio no bolso do consumidor brasileiro.
O preço da gasolina, por exemplo, havia subido 1,86% em abril, mas recuou 1,46% em maio, depois que o combustível entrou na lista de subsídios do governo. Além disso, o preço do diesel diminuiu 2,34% e o do etanol afundou 6,20%.

Veja como os grupos da inflação se comportaram em maio:

  • Alimentação e bebidas: 1,33%;
  • Habitação: 1,22%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,90%;
  • Vestuário: 0,62%;
  • Despesas pessoais: 0,41%;
  • Comunicação: 0,23%;
  • Artigos de residência: 0,08%;
  • Educação: 0,00%; 
  • Transportes: -0,46%.