🚨 O otimismo com a bolsa brasileira segue firme entre os gestores de fundos da América Latina, apesar das tensões geopolíticas e dos temores de estagflação global.
A pesquisa mensal do BofA (Bank of America), divulgada nesta quarta-feira (15) com a participação de 30 gestores que administram cerca de US$ 72 bilhões em ativos, mostra que 73% dos entrevistados esperam o
Ibovespa (IBOV) acima dos 190 mil pontos em dezembro de 2026, frente a 76% na pesquisa anterior.
Quase metade dos gestores vê o índice acima dos 200 mil pontos até o fim do ano. Cerca de 43% compartilham essa visão, ante 53% no levantamento anterior.
O dado mais expressivo, no entanto, é o salto de 0% para 10% no percentual de gestores que apostam no Ibovespa acima dos 220 mil pontos.
Lucros sob pressão e Selic com menos espaço para cair
O otimismo estrutural convive com alertas. As expectativas para os lucros das empresas pioraram, com apenas 13% dos gestores esperam revisões para cima neste ano, ante 35% no mês anterior.
A preocupação central é o choque inflacionário decorrente da disparada do
petróleo com a guerra no Irã e a perspectiva de juros mais altos nos EUA.
No campo da política monetária doméstica, 80% dos gestores avaliam que os riscos geopolíticos podem diminuir o ritmo de cortes da
Selic, ante 69% na pesquisa anterior. O BofA, por sua vez, projeta a taxa básica em 13,25% em dezembro de 2026, considerando reduções de 25 pontos-base por reunião do Copom.
Pelo segundo mês consecutivo, a pesquisa não identificou consenso entre os gestores sobre o nível da Selic ao final do ano.
Sobre o
dólar, os entrevistados projetam a divisa entre R$ 4,81 e R$ 5,10 em dezembro, ante a estimativa anterior de R$ 5,11 a R$ 5,40. No cenário regional, os gestores esperam desempenho superior do Brasil frente ao México nos próximos seis meses.
No segmento setorial, utilities seguem com maior alocação, enquanto consumo discricionário permanece como o setor com menor exposição.
Analista já projeta Ibovespa a 250 mil pontos
Enquanto os gestores debatem os 200 mil pontos, André Moraes, analista e chairman da BFR Investimentos, vai além e projeta o Ibovespa em até 250 mil pontos até o final de 2026. Moraes defende a tese desde o ano passado, quando o índice estava próximo dos 120 mil pontos.
"Isso não parece um voo de galinha. Se parece mais com um transatlântico ou um voo de um Airbus 380. Hoje, ainda parece fantasia, mas os fundamentos já estão plantados para que isso se torne realidade", afirmou.
Para sustentar a projeção, o analista elenca quatro pilares. O primeiro é o fator eleitoral. O mercado antecipa cenários políticos e o analista vê a corrida presidencial de 2026 como catalisador relevante. "O mercado reage a sinais e esse é um sinal forte", disse.
O segundo pilar é a queda dos juros. Historicamente, ciclos de afrouxamento monetário impulsionam a renda variável. "Sempre que os juros caem, a bolsa sobe", observou, ressalvando que a intensidade do movimento depende do cenário geopolítico e do petróleo.
O terceiro pilar é o fluxo estrangeiro. Moraes destaca que o Brasil voltou a atrair capital global pelo valuation atrativo e pelos juros elevados.
"Esse é o tipo de desequilíbrio que cria ralis rápidos, violentos e surpreendentes", afirmou, acrescentando que o investidor estrangeiro já colocou R$ 60 bilhões na bolsa brasileira neste ano. O quarto pilar é o desconto histórico dos múltiplos.
"A bolsa brasileira está barata, está muito barato", concluiu.
Moraes também destaca que a eventual convergência de três fluxos simultâneos, estrangeiro, institucional e de varejo, pode acelerar ainda mais a alta.
📊 "Quando esses três fluxos chegarem, eu entendo que existe uma grande chance da gente ter uma aceleração nessa subida", observou.