Os avanços da
inteligência artificial (IA) são uma faca de dois gumes em pleno 2026. Enquanto o seleto grupo das
Sete Magníficas, formado pelas big techs americanas, acumula valor de mercado na casa dos trilhões de dólares, potencialmente 20 mil funcionários da área perderão seus empregos em breve.
Afinal de contas, a
Microsoft (MSFT34) anunciou nesta semana o seu primeiro programa de demissão voluntária em mais de 51 anos de história.
Também no último dia 23 de abril de 2026, a
Meta (M1TA34) divulgou ao mercado que pretende colocar na rua cerca de 10% de sua folha de pagamentos.
Exterminador do futuro?
Para o analista Rafael Passos, da gestora Ajax Asset, a substituição progressiva da força de trabalho humana por ferramentas de IA, sobretudo nas big techs americanas, já está no radar do próximo xerife do Federal Reserve.
"Há ceticismo interno quanto à tese de Kevin Warsh,
o indicado por Donald Trump, de que a revolução da IA trará um boom desinflacionário semelhante ao dos anos 1990 sob a ascensão da internet. Logo, também há resistência à ideia de que a redução do balanço do Federal Reserve abriria espaço para cortes agressivos de juros ainda em 2026", comenta Passos.
Economistas temem que uma crise laboral contundente chegue bem antes do previsto, uma vez que ferramentas de IA têm preenchido lacunas de tarefas cada vez mais complexas com bastante velocidade e baixo custo.
Desde o início de 2026 até o último dia 24 de abril, cerca de 92 mil trabalhadores do setor de tecnologia dos Estados Unidos foram mandados embora, conforme dados da consultoria Layoffs.fyi. Se considerarmos as demissões desde 2020, em torno de 900 mil pessoas foram para a fila dos desempregados.
Outro caso que também ilustra a disrupção causada pela IA é a perda de 95% do valor de mercado da
Fiverr (FVRR), uma plataforma voltada a oferecer oportunidades para freelancers e profissionais autônomos.