Gafisa (GFSA3): Ações caem 80% em 2026 e acionistas correm para mudar o comando

A gestora L4 Capital lidera um grupo com 8% do capital votante da Gafisa que pediu uma AGE para destituir o conselho fiscal da empresa.

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Publicado em 25/05/2026 às 15:46h Publicado em 25/05/2026 às 15:46h por Matheus Silva
Em fato relevante divulgado, a Gafisa confirmou o recebimento do pedido (Imagem: Divulgação/Gafisa)
Em fato relevante divulgado, a Gafisa confirmou o recebimento do pedido (Imagem: Divulgação/Gafisa)
🚨 Um grupo de acionistas minoritários da Gafisa (GFSA3) decidiu partir para uma ofensiva contra a atual estrutura de governança da incorporadora após anos de perdas operacionais, aumento da alavancagem e queda de quase 80% das ações em 2026, derrocada que supera 99% desde a abertura de capital
Liderados pela gestora L4 Capital, os investidores, que reúnem pouco mais de 8% do capital votante, pediram a convocação de uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária), segundo apurou o Seu Dinheiro.
"A empresa aumentou o risco, teve uma operação muito ruim e não entregou nada. Isso desvalorizou brutalmente o patrimônio dos investidores", afirmou Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital.
Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (25), a Gafisa confirmou o recebimento do pedido, que supera o mínimo de 3% necessário para exigir a convocação da assembleia. O conselho de administração informou que irá analisar o requerimento dentro do prazo legal de oito dias e tomar as medidas cabíveis, sem detalhar oficialmente os temas que estarão na pauta.

Conselho fiscal eleito de forma acelerada foi o estopim da ofensiva

A deterioração operacional já era criticada há anos, mas o estopim da ofensiva ocorreu após a AGO (Assembleia Geral Ordinária) realizada em 11 de maio. Segundo Queiroz, os minoritários acreditavam ter um canal de diálogo aberto com a companhia, com um almoço entre as partes marcado para 15 de maio. Porém, antes disso, o conselho fiscal foi eleito de forma acelerada. 
"A regra permite, mas foi feito de uma maneira não representativa", afirmou o gestor.
O pedido dos minoritários prevê a destituição integral do conselho fiscal recém-eleito e a realização de uma nova eleição para garantir supervisão mais independente sobre os atos da administração. 
Além disso, o grupo quer ampliar o conselho de administração de três para cinco cadeiras, com a indicação de dois novos nomes alinhados à visão dos minoritários, eleitos para mandato unificado até a AGO de 2027.

Receita caiu, margens não subiram e dívida quase dobrou

A carta enviada pelos minoritários traça um diagnóstico duro sobre a situação da incorporadora. Na avaliação dos investidores, a estratégia desenhada entre 2019 e 2021, baseada na expansão para o alto padrão e no crescimento da receita recorrente, não entregou os resultados prometidos. 
"O resultado consolidado desse período foi marcado por prejuízo recorrente, significativa desvalorização das ações e expressiva destruição de valor para o acionista minoritário", afirmam no documento.
Os números apresentados pelos minoritários ilustram a deterioração. A receita operacional líquida caiu de cerca de R$ 700 milhões para aproximadamente R$ 500 milhões. As margens, que deveriam avançar para entre 40% e 45% no segmento de alto padrão, permaneceram próximas de 30%.
A alavancagem disparou, com a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido saltando de 39% para cerca de 83%, chegando próximo a 100% em algumas métricas de mercado.

L4 Capital quer Gafisa mais enxuta

Apesar do cenário, os minoritários afirmam enxergar valor nos ativos da companhia, como a marca forte, terrenos relevantes e projetos bem posicionados em São Paulo e Rio de Janeiro. O problema, na visão da L4, estaria na execução estratégica e na governança, não nos ativos.
A proposta inclui a entrada de Luciano França, ex-responsável pela área de M&A e Relação com Investidores da Even (EVEN3), e Carlos Suslik, CEO da L4 Capital, no conselho da empresa.
A estratégia prevê uma Gafisa mais enxuta, lançando entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões por ano, com foco em regiões consideradas mais resilientes, como o agronegócio do Centro-Oeste e o segmento de luxo litorâneo em Santa Catarina. Ativos que não geram caixa imediato seriam vendidos para reduzir o risco financeiro.
A L4 pretende replicar na Gafisa a estratégia adotada na Inepar (INEP4), assumindo o protagonismo em uma companhia financeiramente estressada, promover mudanças de gestão e focar na recuperação operacional. 
📈 "Permanecendo do jeito que está ali, dificilmente a empresa consegue sobreviver", alertou Queiroz.