Fictor (FICT3) despenca quase 5% após proposta de recuperação judicial

A proposta de recuperação judicial faz parte do esforço da companhia para reorganizar sua estrutura financeira.

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Publicado em 24/06/2026 às 14:40h Publicado em 24/06/2026 às 14:40h por Elanny Vlaxio
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (24) (Imagem: Divulgação)
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (24) (Imagem: Divulgação)
As ações da Fictor (FICT3) operavam em forte queda na manhã desta quarta-feira (24), chegando a recuar quase 5%, após a divulgação de detalhes do plano de recuperação judicial da companhia. O movimento refletiu a reação imediata do mercado aos termos apresentados para reestruturação da dívida. 
O objetivo da recuperação judicial, segundo a empresa, é “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam mais de R$ 4,2 bilhões. Segundo comunicado, o plano prevê condições de renegociação com credores que incluem um desconto expressivo sobre os valores devidos. Esse deságio pode chegar a até 95%, dependendo das condições estabelecidas no processo.
O nível de abatimento máximo está diretamente relacionado à ausência de um empréstimo do tipo DIP (debtor-in-possession). Caso esse financiamento não seja obtido, o plano abre espaço para a aplicação do desconto mais elevado previsto na proposta, diz informações do jornal Valor Econômico. 
A proposta de recuperação judicial faz parte do esforço da companhia para reorganizar sua estrutura financeira e viabilizar a continuidade de suas atividades, em um processo que envolve a renegociação ampla com credores sob supervisão judicial.
A crise de liquidez enfrentada pela Fictor é associada pela própria companhia ao episódio envolvendo o Banco Master. De acordo com a empresa, naquele período, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia chegado a anunciar uma proposta de aquisição do banco, mas a operação acabou sendo interrompida após a decisão da autoridade monetária.
“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz a nota.
O grupo destacou que, ao longo de toda a sua trajetória operacional, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza”, reforçando que mantinha, até então, um histórico de adimplência. Diante do avanço da crise, a companhia informou que passou a adotar um plano de reestruturação, que envolveu a redução de sua estrutura física e também do quadro de funcionários.
Segundo a empresa, essas medidas foram implementadas antes do pedido de recuperação judicial. “Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, afirmou.