O Brasil é, indiscutivelmente, a terra da
renda fixa no mundo, mas os Estados Unidos também se tornaram muito atrativos aos rentistas em 2026, com taxas em patamares recordes em décadas aparecendo na tela neste início de setembro.
Para se ter uma ideia, os rendimentos dos títulos do governo dos EUA (treasury bonds) com vencimento em 10 anos, a principal referência no mundo, pagavam quase 4,80% ao ano nesta terça-feira (1º), o maior patamar absoluto desde janeiro de 2025, além de se assemelhar às condições de juros compostos presentes em 2007, ano anterior à crise financeira global.
Mais alarmantes eram as taxas dos treasury bonds com vencimento em 30 anos, remunerando 5,26% ao ano, que servem de balizadores para contratos de longo prazo, como hipotecas e financiamentos imobiliários.
Foi justamente tentando combater os juros compostos historicamente elevados da renda fixa americana que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, entrou no modo batalha na reta final de agosto. No último dia 25, os treasury bonds de 30 anos
chegaram a oferecer 5,33% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.
Daí, Bessent anunciou que o
governo Trump intensificaria a recompra de títulos de dívida, sobretudo em vencimentos de longo prazo, dobrando os aportes para além de US$ 4 bilhões. Naquela ocasião, os títulos soberanos americanos em questão viram suas taxas caírem para 5,21% ao ano, mas agora os patamares já se aproximam de 5,30% ao ano.
Embora pareçam movimentações percentuais pouco relevantes nas taxas, por se tratarem de títulos de renda fixa com vencimentos no longo prazo, os investidores que emprestaram dinheiro em condições de juros compostos inferiores aos níveis atuais acumulam prejuízos relevantes com marcação a mercado.
Renda fixa global no radar
Não são apenas os EUA que passam por estresse em seu mercado de renda fixa; aqui mesmo no Brasil vemos o
Tesouro Direto oferecer taxas historicamente altas, como indexados à inflação pagando IPCA+ 8% ao ano e prefixados beirando 15% ao ano.
Só que chama ainda mais atenção outros países desenvolvidos sendo obrigados a desembolsar juros compostos expressivos para financiarem suas contas públicas, o que até ajuda a entender o fluxo de dinheiro estrangeiro saindo da bolsa de valores brasileira nas últimas semanas e que derrubou o Ibovespa.
O caso mais emblemático são os títulos soberanos do Japão, com vencimento em 10 anos, em que os rendimentos já superam os 3% ao ano, o maior patamar para a renda fixa japonesa desde 1996.
Mesmo os títulos japoneses de curto prazo, com vencimento em 2 anos, apresentam o maior juro composto em mais de três décadas, pagando 1,81% ao ano.
Na Europa, os títulos públicos do Reino Unido com vencimento em 10 anos viram suas taxas saltarem 10 pontos-base só neste início de mês, chegando a 5,23% ao ano, o maior nível desde junho de 2008, em plena crise do subprime, que também atingiu em cheio o mercado financeiro do velho continente.